domingo, 20 de janeiro de 2013
Instituto Lula reúne intelectuais para debater desenvolvimento e integração da América Latina
Ex-presidente abrirá encontro "Caminhos progressistas para o desenvolvimento", promovido pelo Instituto Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá se encontrar nesta segunda-feira (21) com 30 intelectuais sul-americanos na busca por caminhos progressistas para o desenvolvimento e integração da América Latina, num evento promovido pelo Instituto Lula. “O objetivo deste encontro é identificar uma agenda prática de reflexão, mas também de ação. Definir um plano de trabalho para o desenvolvimento e a integração da América Latina”, explica Luiz Dulci, diretor do Instituto Lula e coordenador da Iniciativa América Latina, que junto com a Iniciativa África e o Memorial da Democracia formam os três eixos de trabalho do Instituto Lula.
O evento, restrito para convidados, vai reunir grandes intelectuais do Brasil e de oito países sul-americanos. Entre os estrangeiros confirmados estão Aldo Ferrer, que já ocupou os cargos de ministro da Economia e da Fazenda da Argentina e é o atual embaixador do país na França; o senador uruguaio Alberto Couriel; Lara Castro, ex-ministro das Relações Exteriores do Paraguai no governo Fernando Lugo; Carlos Ominami, ex-ministro da Economia do Chile; Luis Maira, ex-ministro de Planejamento e Cooperação do Chile; Fander Falconi, ex-ministro das Relações Exteriores do Equador; Salomon Lerner, ex-primeiro ministro do Peru e Moira Paz Estenssoro, ex-senadora boliviana. Os brasileiros confirmados são o ministro Celso Amorim, Luciano Coutinho, presidente do BNDES, Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República, Samuel Pinheiro Guimarães, Antônio Prado, Emir Sader, Márcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, José Gomes Temporão, Wanderley Guilherme dos Santos, Theotonio dos Santos, Ricardo Carneiro, Ingrid Sarti, entre outros.
Este é o segundo encontro de uma série de três reuniões programadas pelo Instituto Lula dentro da Iniciativa América Latina. Em agosto do ano passado, o Instituto reuniu organizações sociais para debater a integração. O terceiro evento será um encontro com empresários da região.
“A América Latina deu um salto na última década, com os governos progressistas. A democracia virou regra, a região toda cresceu, e houve avanços sociais tanto na redução da pobreza quanto na redução da desigualdade”, avalia Luiz Dulci. “Essa sintonia permitiu também um avanço na integração. Além do Mercosul, foram criadas a Unasul e a Celac (Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos). Nossa ideia é que esse processo pode e deve continuar avançando, com um planejamento estratégico”.
Representantes do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe), da Unasul e da CAF (Corporação Andina de Fomento) estarão presentes e anteciparam que esses órgãos têm interesse em que essa discussão seja aprofundada tendo em vista objetivos práticos de ação.
Após a série de debates, o Instituto Lula vai apresentar os resultados para os governos nacionais, instituições multilaterais e outros atores econômicos, políticos e sociais da América Latina.
Jornalistas interessados em entrevistas com os participantes estrangeiros do encontro podem entrar em contato com a assessoria de imprensa do Instituto Lula.
Hotel Sofitel, dia 21 de janeiro, das 9h às 18h
Abertura - Luiz Inácio Lula da Silva
Mesa 1 - Democracia e Desenvolvimento: uma década de transformações na América Latina
Marco Aurélio Garcia e Aldo Ferrer
Mesa 2 - A integração regional: estágio atual e desafios
Celso Amorim e Luis Maira
Mesa 3 - Desdobramentos: uma agenda comum de trabalho
Luiz Dulci e Gerardo Caetano
Participantes Brasileiros
Celso Amorim, embaixador, atual Ministro de Estado da Defesa
Marco Aurélio Garcia, historiador, assessor de Relações Internacionais da Presidência da República
Marilena Chauí, filósofa, Universidade de São Paulo
Luciano Coutinho, economista, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Economico e Social/BNDES
Ricardo Carneiro, economista, diretor-executivo do Banco Interamericano de Desenvolvimento/BID
Antônio Prado, economista, secretário Adjunto da CEPAL
Ingrid Sarti, cientista política, UFRJ, presidente do Fórum Universitário Mercosul/FoMerco
Samuel Pinheiro Guimarães, embaixador, ex-secretário-geral das Relações Exteriores
Marcos Costa Lima, cientista político, Universidade Federal de Pernambuco
Márcio Pochmann, economista, presidente da Fundação Perseu Abramo
Emir Sader, cientista político, Universidade Estadual do Rio de Janeiro
Wanderley Guilherme dos Santos, cientista político, Universidade Cândido Mendes
Theotonio dos Santos, economista, Universidade Federal Fluminense
José Gomes Temporão, ex-ministro da saúde, diretor Executivo do Instituto Sul-americano de Governo em Saúde
Valter Pomar, historiador, secretário Executivo do Foro São Paulo
Pablo Gentili, secretário-executivo do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais/CLACSO
José Viegas Filho, embaixador, ex-minitro da defesa, presidente do Centro Celso Furtado
Luiz Dulci, educador, ex-minitro da Secretaria Geral da Presidencia da República, diretor do Instituto Lula
Participantes Internacionais
Argentina
Aldo Ferrer, economista, ex-ministro da economia, embaixador da Argentina na França
Horácio Gonzales, sociólogo, diretor Geral da Biblioteca Nacional
Bernardo Kosacoff, economista, ex-diretor da CEPAL
Bolívia
Ivonne Farah, cientista política, Universidade Mayor de San Andres
Moira Paz Estenssoro, economista, diretora da CAF – Corporação Andina de Fomento
Chile
Carlos Ominami, economista, ex-ministro da Economia, presid. da Fundación Chile 21
Luís Maira, cientista político, ex-ministro do Planejamento e Cooperação
Colômbia
Gustavo Petro Urrego, economista, prefeito de Bogotá
Equador
Enrique Ayala Mora, historiador, reitor da Universidade Andina Simón Bolívar
Peru
Salomón Lerner, engenheiro industrial, empresário, e ex-primeiro ministro
Paraguai
Jorge Lara Castro, advogado e cientista social, ex-ministro das Relações Exteriores
Gustavo Codas, economista, ex-diretor geral da Itaipu Binacional
Uruguai
Alberto Curiel, economista, senador, atual vice-presidente do Senado
Álvaro Padron, cientista político, diretor da Fundação Friedrich Ebert
Christian Mirza, cientista social, diretor-geral do Instituto Social do Mercosul
Venezuela
Ana Maria Sanjuán, cientista política, Universidade Central da Venezuela
Maximillien Arvelaez, cientista político, atual embaixador da Venezuela no Brasil
Com informações do Instituto Lula
sábado, 19 de janeiro de 2013
Novas filiações
Prazo para realizar plenárias de formação termina em 10 de março
Termina no dia 10 de março o prazo para a realização das plenárias de formação para novos filiados e filiadas ao Partido dos Trabalhadores. O procedimento abrange pedidos colocados no Sisfil com data de aprovação pela Executiva Municipal até 10 de novembro de 2012, que terão direito a participar do próximo Processo de Eleições Diretas (PED).
A determinação visa cumprir o estatuto aprovado no 4º Congresso do PT, que prevê apresentar aos novos membros a história do Partido e seus projetos políticos. Além de esclarecer quais direitos e deveres de cada membro, bem como a participação efetiva na tomada de decisões relacionadas à legenda.
Um vídeo de apenas 12 minutos e o caderno de apresentação do PT aos novos(as) filiados(as), estão disponíveis na internet, pela Escola Nacional de Formação.
Sisfil
O registro de participação nas plenárias no Sistema de Filiação (Sisfil) é de responsabilidade das instâncias municipais e zonais e deve ser feito até o dia 10 de abril. Também é essa a data final para postagem das listas de presença dessas atividades no caso dos municípios que não aderiram ao Sistema.
Atividades Partidárias
Há ainda outros prazos aos quais as instâncias municipais e zonais devem se atentar: entre 1º de março e 12 de agosto devem ser convocadas, ao menos, três atividades partidárias. Todas elas devem contemplar pontos específicos de debate, sendo eles: programa e estratégia partidária; conjuntura nacional e internacional; tática, política de aliança e programação para as eleições 2014; e construção partidária e plano de ação.
A participação efetiva em pelo menos um desses eventos habilitará a participação no PED 2013 àqueles que tiveram filiação aprovada, no máximo, até o dia 10 de novembro de 2012.
Fonte: Linha Direta
Publicado no Portal do PT Ceará
Termina no dia 10 de março o prazo para a realização das plenárias de formação para novos filiados e filiadas ao Partido dos Trabalhadores. O procedimento abrange pedidos colocados no Sisfil com data de aprovação pela Executiva Municipal até 10 de novembro de 2012, que terão direito a participar do próximo Processo de Eleições Diretas (PED).
A determinação visa cumprir o estatuto aprovado no 4º Congresso do PT, que prevê apresentar aos novos membros a história do Partido e seus projetos políticos. Além de esclarecer quais direitos e deveres de cada membro, bem como a participação efetiva na tomada de decisões relacionadas à legenda.
Um vídeo de apenas 12 minutos e o caderno de apresentação do PT aos novos(as) filiados(as), estão disponíveis na internet, pela Escola Nacional de Formação.
Sisfil
O registro de participação nas plenárias no Sistema de Filiação (Sisfil) é de responsabilidade das instâncias municipais e zonais e deve ser feito até o dia 10 de abril. Também é essa a data final para postagem das listas de presença dessas atividades no caso dos municípios que não aderiram ao Sistema.
Atividades Partidárias
Há ainda outros prazos aos quais as instâncias municipais e zonais devem se atentar: entre 1º de março e 12 de agosto devem ser convocadas, ao menos, três atividades partidárias. Todas elas devem contemplar pontos específicos de debate, sendo eles: programa e estratégia partidária; conjuntura nacional e internacional; tática, política de aliança e programação para as eleições 2014; e construção partidária e plano de ação.
A participação efetiva em pelo menos um desses eventos habilitará a participação no PED 2013 àqueles que tiveram filiação aprovada, no máximo, até o dia 10 de novembro de 2012.
Fonte: Linha Direta
Publicado no Portal do PT Ceará
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
8ª Bienal da UNE
Trabalhos selecionados revelam pluralidade do Festival
Consolidação do trabalho do movimento estudantil nos últimos anos, a Bienal da UNE tem como principal objetivo mapear e apresentar toda a riqueza da produção cultural universitária brasileira.
Neste ano, sob o tema “A volta da Asa Branca”, a Bienal dos estudantes reunirá dez mil jovens de todo o Brasil entre os dias 22 e 26 de janeiro de 2013 nas cidades de Recife e Olinda. Durante todo o festival serão apresentados os 193 trabalhos escolhidos, oriundos de 23 estados. O destaque fica por conta da região Nordeste, região com maior número de trabalhos inscritos.
Para a diretora de cultura da entidade, Maria das Neves, a Bienal mostra a representatividade da UNE perante todos os estudantes brasileiros. ‘’Esse é o desafio que a UNE assumiu: representar o conjunto dos estudantes de todas as universidades brasileiras. Pra entidade é uma satisfação muito grande porque faremos com que o Brasil se encontre com o Brasil, não só pelo tema da Bienal, mas também pelo diálogo que será construído entre os estudantes de cada região. Será uma grande troca de experiências, uma verdadeira aula de Brasil a céu aberto’’, analisou.
Ao longo de 13 anos, desde que surgiu em 1999, as bienais também pautaram temas importantes, mantendo ativa a cultura estudantil em diálogo com as manifestações do nosso povo.
O histórico do festival acaba por se confundir com o próprio percurso da produção artística juvenil brasileira.
Leia a matéria completa no Portal da UNE
Publicado sob a Licença Creative Commons 2.5 Brasil (CC BY-NC-SA 2.5)
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
10ª Jornada de Formação Política da AE
A Articulação de Esquerda vai realizar a sua 10ª jornada nacional de formação politica na cidade do Rio de Janeiro, no período de 26 de janeiro a 3 de fevereiro de 2013.
A atividade, parte do processo de formação politica da tendência, é aberta à militância petista interessada.
A taxa de inscrição é de R$ 765,00, referentes ao material, hospedagem e alimentação durante todo o período da jornada, que será realizada no Centro de Acolhida Assunção, localizado no bairro de Santa Tereza, na capital carioca.
Nesta 10ª edição da jornada será oferecido o curso “Estudo das Resoluções da AE”.
Em especial nesta 10ª jornada de formação, viveremos a circunstância de iniciarmos o ano debatendo os desafios da AE para sua intervenção no PED 2013 do PT, que certamente será decisivo para um balanço geral da atuação do PT nos últimos anos e para o traçado das perspectivas futuras do nosso partido na luta de classes do Brasil, que tende a se acirrar mais e mais.
Deste ponto de vista, aprofundar a nossa elaboração é central se queremos contribuir para o enfrentamento dos problemas teóricos e políticos que são de todo PT, formando quadros para intervir de forma qualificada neste debate e na luta concreta da classe trabalhadora, em suas diversas expressões.
Assim, é importante que as cidades e estados se mobilizem para viabilizar o envio do máximo possível de militantes para a 10ª jornada de formação.
Para informações e inscrições acesse o sítio Página 13
domingo, 13 de janeiro de 2013
Página 13 de janeiro de 2013
Leia na edição do Página 13 deste mês (clique nos links para acessar):
Editorial - Um partido também para os anos ímpares - Pág. 2
Nacional
- Turbulências à vista - Wladimir Pomar - Pág. 3 e 4
- Alta cozinha (CPI do Cachoeira) - Dr. Rosinha - Pág. 4 e 5
- Drogas: um debate necessário - Alex Monaiar e Pedro Sérgio da Silveira - Pág. 6
- Ainda há muito o que fazer (CUT) - Pág. 7
- Não é o dia da marmota (Conjuntura) - Iriny Lopes - Pág. 8
Partido
- Estudantes petistas, uni-vos! - Jonatas Moreth - Pág. 8
- Sair da armadilha do aliancismo (PT-ES) - Emílio Font - Pág. 9
- Convocado o Quinto Congresso - Pág. 20
Tendência - Para escolher uma nova direção - Pág. 10 e 11
Eleições 2012
- Paraíba: apenas começamos - David Soares de Souza - Pág. 12 e 13
- Recife: lições de uma derrota anunciada - Múcio Magalhães - Pág. 13
- Bahia: vitória eleitoral e derrota política - Ubiratan Félix - Pág. 14
- Rondônia: Um caminhar sem direção - Jorge Werley - Pág. 15
- E agora, São José - Gino Genaro - Pág. 15
10a. Jornada de Formação Política - Lício Lobo - Pág. 14
Estudantes - Identidade e emancipação - Melissa Ramos - Pág. 16
Mulheres - Todas as formas de violência - Raquel Esteves - Pág. 17
Meio Ambiente - Por uma produção agrícola sustentável - Geraldo Vitor de Abreu - Pág. 18
Saúde - VER-SUS: conhecer, intervir, transformar - Alex Monaiar e Liamara Ubessi - Pág. 19
sábado, 12 de janeiro de 2013
Obituário
Faleceu na noite desta sexta-feira, 11, devido à uma parada respiratória, um ativo militante incansável das lutas populares: Padre Haroldo Coelho. Atualmente no PSol, chegou a ser candidato a governador pelo PT em 1986, com o lema "Bote Fé". Na foto, participando do Encuentro Internacional de Solidaridad con Cuba, em maio de 2009.
Serviço:
Velório: Igreja de Santa Edwirges
Avenida Leste-Oeste, 600 - Jacarecanga
A partir das 7h da manhã deste domingo, 13 de janeiro
Sepultamento: Domingo, 13 de janeiro, 17:30h, no cemitério Parque da Paz
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Acampamento da JAE-DF
A Juventude da Articulação de Esquerda de Brasília realizará, no início de fevereiro, o 1º Acampamento da JAE-DF, que ocorrerá no Jardim Botânico de Brasília. O evento contará com diversos debates, saraus, exibição de filmes e práticas esportivas. Programação completa e inscrições no sítio da AE-DF
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Para escolher uma nova direção
Abaixo a segunda parte da resolução aprovada pela Direção Nacional da AE acerca do PED 2013. Ambos documentos estão disponíveis em www.pagina13.org.br
Em 2013 vamos comemorar 10 anos de posse de Lula, 20 anos de fundação da Articulação de Esquerda e 30 anos de criação da Central Única dos Trabalhadores. Também em 2013, teremos o PED e as preliminares das eleições presidenciais de 2014. Em 2013, continuará repercutindo o julgamento, condenação e prisão de Dirceu, Genoíno, João Paulo e Delúbio. Tudo isto num contexto mundial e regional muito tenso, que impactará cada vez nossa ação governamental.
Portanto, 2013 será um ano muito complexo do ponto de vista político, exigindo não apenas inteligência tática e organizativa, mas, sobretudo inteligência estratégica. Ou seja: não se trata apenas de construir planos para vencer as batalhas deste ano e do seguinte. Trata-se, sobretudo, de articular as batalhas do biênio 2013-2014 com nossos planos de médio e longo prazo.
Para isto, será preciso nadar contra a corrente do pragmatismo, do “taticismo”, da despolitização, do senso comum.
O Partido dos Trabalhadores transformou-se numa grande força político-eleitoral, sem que tenha conseguido a organicidade, densidade ideológica e a centralidade política necessárias para um crescimento sustentável, ou seja, compatível com a manutenção e reafirmação de nossos objetivos programáticos originais.
Um dos motivos disto é que parte importante dos petistas é recém-filiada ao Partido, não possuindo nem a experiência pessoal, nem a formação política necessárias para ter uma visão de conjunto do processo histórico em que estamos mergulhados. Parte igualmente importante dos dirigentes do Partido aderiu a uma visão “taticista” da política, segundo a qual os meios de acúmulo de força (por exemplo, os processos eleitorais) são convertidos em objetivo final; o programa é convertido em plataforma eleitoral; as alianças estratégicas são travestidas de coligações eleitorais; e o horizonte histórico é determinado pelas próximas eleições, muitas vezes em termos de carreira pessoal, incluindo opções e alianças que prejudicam o próprio PT.
Outro dos motivos é que estamos diante do esgotamento progressivo do caminho estratégico de centro-esquerda, adotado em 1995. Ele teve êxitos, que não podem ser minimizados. Mas exatamente estes êxitos - que, com o perdão do gerundismo, consistem em paulatinamente ir tirando da sala nacional o bode neoliberal - estão recolocando em cena os dilemas fundamentais que o Brasil tinha antes do neoliberalismo: um modelo de desenvolvimento conservador, que reproduz e aprofunda a desigualdade social, a dependência externa e a falta de democracia.
O governo Lula foi, e o governo Dilma segue sendo, expressão prática de uma aliança de classe entre setores da classe trabalhadora e da burguesia, em favor do desenvolvimento capitalista do Brasil. Um desenvolvimento que nos últimos dez anos transcorreu nos marcos de uma hegemonia capitalista e neoliberal em crise; um desenvolvimento em disputa, entre os que o desejam conservador contra os que o desejam melhorista, reformista, transformador, progressista, democrático-popular, ou até mesmo articulado com nossos objetivos socialistas.
Por isto mesmo, os impasses hoje vividos pelo PT e pelo governo não são apenas conjunturais. Até aqui chegamos, com o Partido e com a estratégia que temos. Para seguir adiante, será necessário algo mais e diferente. O que exige atualizar nossa análise da formação social brasileira.
Um exemplo desta necessidade reside na caracterização dos setores sociais “emergentes”: são trabalhadores ou “classe média”? As diferentes respostas correspondem a visões distintas, existentes no PT, acerca da sociedade brasileira. De cada visão resultam desafios diversos: organizar a classe trabalhadora, em torno de suas lutas imediatas e históricas? Ou inserir a dita “classe média” no mercado capitalista?
O PED 2013 precisa debater estes temas de fundo, que começamos a detalhar no texto PT vai escolher uma nova direção
Um dos nossos objetivos no PED é, exatamente, ganhar a maioria do Partido para a necessidade de atualizar o programa e a estratégia democrático-popular e socialista, reafirmar o PT como instrumento da classe trabalhadora, um instrumento capaz de realizar a disputa política e cultural contra-hegemônica. Outro objetivo consiste em ampliar nossa presença nas direções partidárias, tendo claro o que significa nosso desempenho na disputa de rumos do PT, no contexto geral da luta pelo socialismo no Brasil e no mundo.
Para dar conta destes objetivos, orientamos nossa militância a:
*difundir amplamente as ideias contidas no documento PT vai escolher uma nova direção (Página 13, edição 115), através das redes sociais, da mídia partidária e alternativa, bem como através do espaço que consigamos nos meios de comunicação de massa. Usar intensamente os meios de comunicação (da AE, partidários, democráticos e gerais) para informar, estimular o voto e dar orientação política aos quase 1,8 milhão de petistas que poderão exercer seu direito a votar no PED 2013;
*realizar reuniões abertas ao conjunto do PT, em todas as cidades, para debater com nossa base social e eleitoral, dialogando com todos os setores partidários, sem distinção, a respeito dos temas abordados nos materiais citados no parágrafo anterior;
*propor às tendências, aos agrupamentos e às lideranças da chamada esquerda petista a realização, durante o primeiro semestre de 2013, de atividades comuns, dentre elas a realização de um Encontro nacional da esquerda partidária, com o objetivo de unificar nossa atuação no PED;
*iniciar imediatamente o contato com os setores do Partido dispostos a formar uma chapa e uma candidatura para disputar o PT em âmbito nacional. Neste contexto, apresentar a pré-candidatura de Valter Pomar à presidência nacional do PT;
*compor, em todos os zonais, municípios e estados do país, chapas, candidaturas e campanhas articuladas com nossa chapa/candidatura nacional.
*vigiar o cumprimento do regulamento do PED 2013 (ver a íntegra do regulamento no endereço www.pt.org.br). O diretório nacional do PT aprovou regras relativamente democráticas para o PED 2013, que podem reduzir as fraudes, o abuso do poder econômico e o voto sem debate prévio. Caso estas regras sejam cumpridas, em âmbito nacional, estadual e municipal, crescem as chances do PED ser um espaço de debate político;
*estimular o conjunto da militância petista a quitar suas contribuições financeiras e participar das atividades partidárias obrigatórias até 12/08/2013;
*atentar para o calendário de inscrição das chapas e candidaturas presidenciais ao PED: nacional 13/07/2013; estadual 12/08/2013; municipal e zonal, 11/09/2013.
Caso cumpram os requisitos estatutários (ter um ano de filiação, ter participado de pelo menos uma atividade partidária registrada e ter pago suas contribuições), poderão participar do PED algo em torno de 1.800.000 filiados e filiadas. Isto inclui desde filiados ao PT em 1980, até recém-filiados. Inclui pessoas que participaram da resistência à ditadura militar, da oposição à transição conservadora e ao neoliberalismo, das grandes lutas sociais e políticas dos últimos 30 anos; até pessoas que são área de influência eleitoral de alguma liderança petista.
Para atingir este eleitorado tão diversificado, é necessário construir uma abordagem também diversificada, que tenha como eixo o fortalecimento do PT como instrumento para transformação do Brasil, tendo como objetivo conquistar o apoio e o voto do conjunto dos filiados petistas, não apenas daqueles com maior experiência militante.
O PED é uma disputa nacional, portanto nossa política de alianças também deve ser nacional. Por outro lado, as realidades locais e regionais são muito distintas, seja a realidade partidária, seja a orientação política de cada tendência, seja a situação da própria Articulação de Esquerda. Para conciliar uma orientação nacional, com as realidades locais, adotaremos o seguinte procedimento: a) primeiro, a definição nacional de diretrizes; b) segundo, a discussão da política regional e local a luz das diretrizes nacionais; c) terceiro, a comunicação permanente e imediata das discrepâncias e ajustes; d) a disposição de decidir conjuntamente a política, nos termos do regimento interno da AE.
Nossa política de alianças opera em dois planos distintos: por um lado, temos abertura para discutir nossas idéias com todos os setores do Partido, com o objetivo de construir alianças de propósitos, pontos de identidade programáticos entre os que estaremos concorrendo no PED, independente de estarmos apoiando as mesmas chapas e candidaturas.
Por outro lado, temos como objetivo constituir chapas e candidaturas a presidente com aqueles setores que compartilhem o núcleo fundamental de nossas formulações acerca do programa, da estratégia, da tática e da organização partidária.
Em nenhum caso participaremos de chapas ou apoiaremos candidaturas que estejam em contradição com nossas orientações gerais nacionais para o PT, ainda que esta participação possa ser vantajosa do ponto de vista estritamente eleitoral (ou seja, em termos de espaço nos organismos dirigentes do Partido ou acordos para as eleições 2014).
Evidentemente, como regra geral, somos contrários a candidaturas e chapas únicas, pois o Partido é plural, e a luta de idéias é algo positivo. É muito estranho e inapropriado que no momento do PED, no qual os filiados são chamados a decidir, se promovam acordos por cima.
Para além das diferenças políticas existentes no Partido, as regras do PED (paridade de gênero, presença étnica e da juventude, listas pré-ordenadas, presença mínima nos estados, 0,1% de apoios para lançamento de candidaturas presidenciais) induzem todas as tendências partidárias a lançar chapa (e candidatura presidencial) própria, inclusive devido à dificuldade de definir antecipadamente a composição das listas.
Nosso objetivo é definir a nominata das chapas e as candidaturas presidenciais, em âmbito municipal, estadual e nacional, até os dias 30 e 31 de março de 2013, quando reuniremos a direção nacional da AE para uma avaliação do quadro.
Nos dias 31 de maio, 1 e 2 de junho de 2013, em São Paulo, uma plenária nacional da AE: a) aprovará a versão final do texto que submeteremos ao PED; b) analisará e fará eventuais correções na tática e na política de alianças nacional; c) analisará e julgará recursos a respeito das táticas e política de aliança nos estados; d) aprovará a nominata de nossa chapa ao Diretório Nacional; e) aprovará nossa candidatura à presidência nacional do PT.
Publicado no Página 13 de janeiro de 2013
Em 2013 vamos comemorar 10 anos de posse de Lula, 20 anos de fundação da Articulação de Esquerda e 30 anos de criação da Central Única dos Trabalhadores. Também em 2013, teremos o PED e as preliminares das eleições presidenciais de 2014. Em 2013, continuará repercutindo o julgamento, condenação e prisão de Dirceu, Genoíno, João Paulo e Delúbio. Tudo isto num contexto mundial e regional muito tenso, que impactará cada vez nossa ação governamental.
Portanto, 2013 será um ano muito complexo do ponto de vista político, exigindo não apenas inteligência tática e organizativa, mas, sobretudo inteligência estratégica. Ou seja: não se trata apenas de construir planos para vencer as batalhas deste ano e do seguinte. Trata-se, sobretudo, de articular as batalhas do biênio 2013-2014 com nossos planos de médio e longo prazo.
Para isto, será preciso nadar contra a corrente do pragmatismo, do “taticismo”, da despolitização, do senso comum.
O Partido dos Trabalhadores transformou-se numa grande força político-eleitoral, sem que tenha conseguido a organicidade, densidade ideológica e a centralidade política necessárias para um crescimento sustentável, ou seja, compatível com a manutenção e reafirmação de nossos objetivos programáticos originais.
Um dos motivos disto é que parte importante dos petistas é recém-filiada ao Partido, não possuindo nem a experiência pessoal, nem a formação política necessárias para ter uma visão de conjunto do processo histórico em que estamos mergulhados. Parte igualmente importante dos dirigentes do Partido aderiu a uma visão “taticista” da política, segundo a qual os meios de acúmulo de força (por exemplo, os processos eleitorais) são convertidos em objetivo final; o programa é convertido em plataforma eleitoral; as alianças estratégicas são travestidas de coligações eleitorais; e o horizonte histórico é determinado pelas próximas eleições, muitas vezes em termos de carreira pessoal, incluindo opções e alianças que prejudicam o próprio PT.
Outro dos motivos é que estamos diante do esgotamento progressivo do caminho estratégico de centro-esquerda, adotado em 1995. Ele teve êxitos, que não podem ser minimizados. Mas exatamente estes êxitos - que, com o perdão do gerundismo, consistem em paulatinamente ir tirando da sala nacional o bode neoliberal - estão recolocando em cena os dilemas fundamentais que o Brasil tinha antes do neoliberalismo: um modelo de desenvolvimento conservador, que reproduz e aprofunda a desigualdade social, a dependência externa e a falta de democracia.
O governo Lula foi, e o governo Dilma segue sendo, expressão prática de uma aliança de classe entre setores da classe trabalhadora e da burguesia, em favor do desenvolvimento capitalista do Brasil. Um desenvolvimento que nos últimos dez anos transcorreu nos marcos de uma hegemonia capitalista e neoliberal em crise; um desenvolvimento em disputa, entre os que o desejam conservador contra os que o desejam melhorista, reformista, transformador, progressista, democrático-popular, ou até mesmo articulado com nossos objetivos socialistas.
Por isto mesmo, os impasses hoje vividos pelo PT e pelo governo não são apenas conjunturais. Até aqui chegamos, com o Partido e com a estratégia que temos. Para seguir adiante, será necessário algo mais e diferente. O que exige atualizar nossa análise da formação social brasileira.
Um exemplo desta necessidade reside na caracterização dos setores sociais “emergentes”: são trabalhadores ou “classe média”? As diferentes respostas correspondem a visões distintas, existentes no PT, acerca da sociedade brasileira. De cada visão resultam desafios diversos: organizar a classe trabalhadora, em torno de suas lutas imediatas e históricas? Ou inserir a dita “classe média” no mercado capitalista?
O PED 2013 precisa debater estes temas de fundo, que começamos a detalhar no texto PT vai escolher uma nova direção
Um dos nossos objetivos no PED é, exatamente, ganhar a maioria do Partido para a necessidade de atualizar o programa e a estratégia democrático-popular e socialista, reafirmar o PT como instrumento da classe trabalhadora, um instrumento capaz de realizar a disputa política e cultural contra-hegemônica. Outro objetivo consiste em ampliar nossa presença nas direções partidárias, tendo claro o que significa nosso desempenho na disputa de rumos do PT, no contexto geral da luta pelo socialismo no Brasil e no mundo.
Para dar conta destes objetivos, orientamos nossa militância a:
*difundir amplamente as ideias contidas no documento PT vai escolher uma nova direção (Página 13, edição 115), através das redes sociais, da mídia partidária e alternativa, bem como através do espaço que consigamos nos meios de comunicação de massa. Usar intensamente os meios de comunicação (da AE, partidários, democráticos e gerais) para informar, estimular o voto e dar orientação política aos quase 1,8 milhão de petistas que poderão exercer seu direito a votar no PED 2013;
*realizar reuniões abertas ao conjunto do PT, em todas as cidades, para debater com nossa base social e eleitoral, dialogando com todos os setores partidários, sem distinção, a respeito dos temas abordados nos materiais citados no parágrafo anterior;
*propor às tendências, aos agrupamentos e às lideranças da chamada esquerda petista a realização, durante o primeiro semestre de 2013, de atividades comuns, dentre elas a realização de um Encontro nacional da esquerda partidária, com o objetivo de unificar nossa atuação no PED;
*iniciar imediatamente o contato com os setores do Partido dispostos a formar uma chapa e uma candidatura para disputar o PT em âmbito nacional. Neste contexto, apresentar a pré-candidatura de Valter Pomar à presidência nacional do PT;
*compor, em todos os zonais, municípios e estados do país, chapas, candidaturas e campanhas articuladas com nossa chapa/candidatura nacional.
*vigiar o cumprimento do regulamento do PED 2013 (ver a íntegra do regulamento no endereço www.pt.org.br). O diretório nacional do PT aprovou regras relativamente democráticas para o PED 2013, que podem reduzir as fraudes, o abuso do poder econômico e o voto sem debate prévio. Caso estas regras sejam cumpridas, em âmbito nacional, estadual e municipal, crescem as chances do PED ser um espaço de debate político;
*estimular o conjunto da militância petista a quitar suas contribuições financeiras e participar das atividades partidárias obrigatórias até 12/08/2013;
*atentar para o calendário de inscrição das chapas e candidaturas presidenciais ao PED: nacional 13/07/2013; estadual 12/08/2013; municipal e zonal, 11/09/2013.
Caso cumpram os requisitos estatutários (ter um ano de filiação, ter participado de pelo menos uma atividade partidária registrada e ter pago suas contribuições), poderão participar do PED algo em torno de 1.800.000 filiados e filiadas. Isto inclui desde filiados ao PT em 1980, até recém-filiados. Inclui pessoas que participaram da resistência à ditadura militar, da oposição à transição conservadora e ao neoliberalismo, das grandes lutas sociais e políticas dos últimos 30 anos; até pessoas que são área de influência eleitoral de alguma liderança petista.
Para atingir este eleitorado tão diversificado, é necessário construir uma abordagem também diversificada, que tenha como eixo o fortalecimento do PT como instrumento para transformação do Brasil, tendo como objetivo conquistar o apoio e o voto do conjunto dos filiados petistas, não apenas daqueles com maior experiência militante.
O PED é uma disputa nacional, portanto nossa política de alianças também deve ser nacional. Por outro lado, as realidades locais e regionais são muito distintas, seja a realidade partidária, seja a orientação política de cada tendência, seja a situação da própria Articulação de Esquerda. Para conciliar uma orientação nacional, com as realidades locais, adotaremos o seguinte procedimento: a) primeiro, a definição nacional de diretrizes; b) segundo, a discussão da política regional e local a luz das diretrizes nacionais; c) terceiro, a comunicação permanente e imediata das discrepâncias e ajustes; d) a disposição de decidir conjuntamente a política, nos termos do regimento interno da AE.
Nossa política de alianças opera em dois planos distintos: por um lado, temos abertura para discutir nossas idéias com todos os setores do Partido, com o objetivo de construir alianças de propósitos, pontos de identidade programáticos entre os que estaremos concorrendo no PED, independente de estarmos apoiando as mesmas chapas e candidaturas.
Por outro lado, temos como objetivo constituir chapas e candidaturas a presidente com aqueles setores que compartilhem o núcleo fundamental de nossas formulações acerca do programa, da estratégia, da tática e da organização partidária.
Em nenhum caso participaremos de chapas ou apoiaremos candidaturas que estejam em contradição com nossas orientações gerais nacionais para o PT, ainda que esta participação possa ser vantajosa do ponto de vista estritamente eleitoral (ou seja, em termos de espaço nos organismos dirigentes do Partido ou acordos para as eleições 2014).
Evidentemente, como regra geral, somos contrários a candidaturas e chapas únicas, pois o Partido é plural, e a luta de idéias é algo positivo. É muito estranho e inapropriado que no momento do PED, no qual os filiados são chamados a decidir, se promovam acordos por cima.
Para além das diferenças políticas existentes no Partido, as regras do PED (paridade de gênero, presença étnica e da juventude, listas pré-ordenadas, presença mínima nos estados, 0,1% de apoios para lançamento de candidaturas presidenciais) induzem todas as tendências partidárias a lançar chapa (e candidatura presidencial) própria, inclusive devido à dificuldade de definir antecipadamente a composição das listas.
Nosso objetivo é definir a nominata das chapas e as candidaturas presidenciais, em âmbito municipal, estadual e nacional, até os dias 30 e 31 de março de 2013, quando reuniremos a direção nacional da AE para uma avaliação do quadro.
Nos dias 31 de maio, 1 e 2 de junho de 2013, em São Paulo, uma plenária nacional da AE: a) aprovará a versão final do texto que submeteremos ao PED; b) analisará e fará eventuais correções na tática e na política de alianças nacional; c) analisará e julgará recursos a respeito das táticas e política de aliança nos estados; d) aprovará a nominata de nossa chapa ao Diretório Nacional; e) aprovará nossa candidatura à presidência nacional do PT.
Publicado no Página 13 de janeiro de 2013
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Nicolás Maduro está pronto para liderar a Venezuela
Bem preparado e com o apoio da população e do partido, vice-presidente tem condições de continuar legado de Chávez
Por Max Altman
O jornalista e cartunista Gilberto Maringoni, especialista em Venezuela, escreveu um artigo analisando a atual conjuntura do país sob o título “O chavismo está mais forte que nunca. O chavismo corre seu maior risco”. Resolveu adotar a atitude de “crítico isento, objetivo e imparcial” dos acontecimentos. Nada mais legítimo.
Muitos analistas da grande imprensa têm perfilado a mesma posição. Há ainda outras duas visões, ambas inseridas na batalha de ideias que se trava, no caso concreto, da Venezuela.
Ao terminar de ler o texto de cerca de 1500 palavras, pode-se constatar que as expressões socialismo ou socialista não foram usadas uma única vez, salvo quando enunciou por extenso o nome do partido de Chávez, o PSUV, em que o S designa socialista. Por outro lado, abunda a expressão chavismo, que o articulista define como o nome genérico que se dá à política venezuelana.
Maringoni insiste que o processo político venezuelano assenta-se quase exclusivamente sobre a legitimidade de seu líder, que costuma se expressar com exuberância e estridência e que sem ele o futuro é uma incógnita.
Sem ignorar o papel essencial que Chávez desempenhou e desempenha no processo revolucionário bolivariano e socialista da Venezuela – escrevo sob o impacto do agravamento da saúde do presidente-comandante –, as condições subjetivas para o avanço da revolução estão sendo criadas e consolidadas no trabalho diuturno político e ideológico do Partido Socialista Unificado da Venezuela e demais partidos do Polo Patriótico e das lideranças partidárias no governo e no parlamento.
O vice-presidente Nicolas Maduro destacou as conquistas políticas da democracia em seu país, com destaque para a estabilidade política, para a construção permanente da democracia e para as grandes vitórias eleitorais de um povo que se expressou livremente. Na Venezuela, o povo é protagonista de sua história como vinha insistentemente pregando o presidente Chávez. Ademais, a democracia venezuelana tem por base uma Constituição que é letra-viva que garante a participação e influência de um povo consciente.
Afirmar, como Maringoni e os comentaristas da grande imprensa, que sem Chávez o futuro da revolução bolivariana socialista é uma incógnita, é desprezar a força, a sensibilidade, o instinto, a consciência e a sabedoria do povo, em especial do povo trabalhador, motor de qualquer transformação social progressista.
Maringoni diz mais que o PSUV é um amálgama de interesses díspares que pode se esfacelar sem o polo aglutinador do “assim chamado” comandante. Coloquei entre aspas o “assim chamado” para reafirmar que o sentimento das massas em relação a Chávez é de que ele é realmente o comandante, expresso na consigna popular “Pa’lante, Comandante” (Avante Comandante).
Ora, para quem acompanha de perto o processo político da Venezuela, é sensível o aprimoramento político e organizativo do Partido, seu poder de mobilização, e hoje uma estrutura mais perto do povo, em condições de orientá-lo e educá-lo. Ao longo do percurso houve deserções, aventureiros ou traidores foram postos à margem, ineptos e aproveitadores foram deslocados de suas funções.
Hoje as questões centrais são mais aprofundadamente e democraticamente discutidas e há muito mais unidade interna. Esse partido, mesmo diante do pior cenário, será capaz de dar sustentação ao novo governo que se formar. Sociologicamente, as transformações que aconteceram desde 1999, em meio à hegemonia chavista, tiveram uma marca tão profunda que mesmo na ausência do líder histórico seus sucessores serão capazes de levar adiante o projeto revolucionário bolivariano socialista.
Diz mais o articulista que o populismo de Chávez tem características progressistas na realidade venezuelana. É insensato falar-se de populismo quando Chávez ganha as eleições presidenciais de outubro de 2012 com base em um plano amplamente divulgado e debatido, o “Plano Socialista da Nação – 2013-2019”, programa histórico de cinco objetivos fundamentais, que tem por lema ‘desenvolvimento, progresso, independência, socialismo’. Na mensagem que Chávez dirigiu às forças armadas pouco antes de se submeter à cirurgia mais recente em Havana, declarou que “estamos construindo um socialismo inédito, sem cópia ou modelo, ancorado na unidade cívico-militar e na independência e soberania da pátria.” E concluiu com enfáticas conclamações: “Hasta la victoria, siempre ! Independência y Patria Socialista ! Viviremos e venceremos! ”
As condições objetivas também avançam. Há gigantescos desafios pela frente – sempre os há e mais ainda quando se pretende transformar a sociedade e o país. Há muita ineficiência de gestão governamental, baixa produtividade, persistem altas taxas de criminalidade, uma arraigada cultura de corrupção, inflação alta e outras mazelas.
Há obstáculos de outra natureza, a oligarquia e boa parte do empresariado, tendo como porta-voz os grandes meios de comunicação, remam contra, a oposição aposta na desestabilização, a pressão do império é insistente.
Contudo números recentes apontam para melhores dias: crescimento do PIB de 5,5%, 0,5 ponto acima da previsão; “Misión Vivienda” atinge 99% do previsto, com a construção de mais 200 mil novas habitações; desemprego cai a 6,4%; inflação desce abaixo dos 20% contra quase 30% do ano anterior, só para citar alguns poucos.
Outro dado fundamental da conjuntura não contemplado pelos argutos analistas: as Forças Armadas da Venezuela são hoje leais ao projeto de construção do socialismo, com independência e soberania, dispostas e preparadas a defendê-lo. O povo venezuelano conta com uma Força Armada real e verdadeiramente bolivariana, portanto verdadeiramente nacional. Um corpo essencialmente patriótico, popular, revolucionário, anti-imperialista e socialista. É inegável o papel protagônico que a Força Armada Bolivariana está desempenhando na construção coletiva de uma sociedade cada vez mais justa, uma sociedade em transição para o socialismo.
Allende, a seu tempo, quis implantar o socialismo por meios pacíficos mas não tinha as armas a seu lado. Aprendendo as lições da história, Chávez pavimentou o caminho rumo ao socialismo, pacificamente, apoiado belo braço armado.
Maringoni põe em dúvida a capacidade de Nicolás Maduro de segurar o bastão que Chávez lhe confiou. Maduro pode não ter o carisma de Chávez, mas provou-se um quadro altamente qualificado como presidente da Assembleia Nacional e chanceler nos últimos seis anos e meio.
Maduro é mais. Tem sólida formação ideológica, social e política e é um dos artífices da construção partidária e das diretrizes políticas consubstanciadas no “Plano Socialista da Nação”. Ainda que sem a presença física de Hugo Chávez, Maduro será capaz de liderar a nação na consolidação de uma forte e influente democracia socialista.
Fonte: Opera Mundi
Por Max Altman
Foto: Efe
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| Com sólida formação ideológica, social e política, Maduro está preparado para governar a Venezuela |
O jornalista e cartunista Gilberto Maringoni, especialista em Venezuela, escreveu um artigo analisando a atual conjuntura do país sob o título “O chavismo está mais forte que nunca. O chavismo corre seu maior risco”. Resolveu adotar a atitude de “crítico isento, objetivo e imparcial” dos acontecimentos. Nada mais legítimo.
Muitos analistas da grande imprensa têm perfilado a mesma posição. Há ainda outras duas visões, ambas inseridas na batalha de ideias que se trava, no caso concreto, da Venezuela.
Ao terminar de ler o texto de cerca de 1500 palavras, pode-se constatar que as expressões socialismo ou socialista não foram usadas uma única vez, salvo quando enunciou por extenso o nome do partido de Chávez, o PSUV, em que o S designa socialista. Por outro lado, abunda a expressão chavismo, que o articulista define como o nome genérico que se dá à política venezuelana.
Maringoni insiste que o processo político venezuelano assenta-se quase exclusivamente sobre a legitimidade de seu líder, que costuma se expressar com exuberância e estridência e que sem ele o futuro é uma incógnita.
Sem ignorar o papel essencial que Chávez desempenhou e desempenha no processo revolucionário bolivariano e socialista da Venezuela – escrevo sob o impacto do agravamento da saúde do presidente-comandante –, as condições subjetivas para o avanço da revolução estão sendo criadas e consolidadas no trabalho diuturno político e ideológico do Partido Socialista Unificado da Venezuela e demais partidos do Polo Patriótico e das lideranças partidárias no governo e no parlamento.
O vice-presidente Nicolas Maduro destacou as conquistas políticas da democracia em seu país, com destaque para a estabilidade política, para a construção permanente da democracia e para as grandes vitórias eleitorais de um povo que se expressou livremente. Na Venezuela, o povo é protagonista de sua história como vinha insistentemente pregando o presidente Chávez. Ademais, a democracia venezuelana tem por base uma Constituição que é letra-viva que garante a participação e influência de um povo consciente.
Afirmar, como Maringoni e os comentaristas da grande imprensa, que sem Chávez o futuro da revolução bolivariana socialista é uma incógnita, é desprezar a força, a sensibilidade, o instinto, a consciência e a sabedoria do povo, em especial do povo trabalhador, motor de qualquer transformação social progressista.
Maringoni diz mais que o PSUV é um amálgama de interesses díspares que pode se esfacelar sem o polo aglutinador do “assim chamado” comandante. Coloquei entre aspas o “assim chamado” para reafirmar que o sentimento das massas em relação a Chávez é de que ele é realmente o comandante, expresso na consigna popular “Pa’lante, Comandante” (Avante Comandante).
Ora, para quem acompanha de perto o processo político da Venezuela, é sensível o aprimoramento político e organizativo do Partido, seu poder de mobilização, e hoje uma estrutura mais perto do povo, em condições de orientá-lo e educá-lo. Ao longo do percurso houve deserções, aventureiros ou traidores foram postos à margem, ineptos e aproveitadores foram deslocados de suas funções.
Hoje as questões centrais são mais aprofundadamente e democraticamente discutidas e há muito mais unidade interna. Esse partido, mesmo diante do pior cenário, será capaz de dar sustentação ao novo governo que se formar. Sociologicamente, as transformações que aconteceram desde 1999, em meio à hegemonia chavista, tiveram uma marca tão profunda que mesmo na ausência do líder histórico seus sucessores serão capazes de levar adiante o projeto revolucionário bolivariano socialista.
Diz mais o articulista que o populismo de Chávez tem características progressistas na realidade venezuelana. É insensato falar-se de populismo quando Chávez ganha as eleições presidenciais de outubro de 2012 com base em um plano amplamente divulgado e debatido, o “Plano Socialista da Nação – 2013-2019”, programa histórico de cinco objetivos fundamentais, que tem por lema ‘desenvolvimento, progresso, independência, socialismo’. Na mensagem que Chávez dirigiu às forças armadas pouco antes de se submeter à cirurgia mais recente em Havana, declarou que “estamos construindo um socialismo inédito, sem cópia ou modelo, ancorado na unidade cívico-militar e na independência e soberania da pátria.” E concluiu com enfáticas conclamações: “Hasta la victoria, siempre ! Independência y Patria Socialista ! Viviremos e venceremos! ”
As condições objetivas também avançam. Há gigantescos desafios pela frente – sempre os há e mais ainda quando se pretende transformar a sociedade e o país. Há muita ineficiência de gestão governamental, baixa produtividade, persistem altas taxas de criminalidade, uma arraigada cultura de corrupção, inflação alta e outras mazelas.
Há obstáculos de outra natureza, a oligarquia e boa parte do empresariado, tendo como porta-voz os grandes meios de comunicação, remam contra, a oposição aposta na desestabilização, a pressão do império é insistente.
Contudo números recentes apontam para melhores dias: crescimento do PIB de 5,5%, 0,5 ponto acima da previsão; “Misión Vivienda” atinge 99% do previsto, com a construção de mais 200 mil novas habitações; desemprego cai a 6,4%; inflação desce abaixo dos 20% contra quase 30% do ano anterior, só para citar alguns poucos.
Outro dado fundamental da conjuntura não contemplado pelos argutos analistas: as Forças Armadas da Venezuela são hoje leais ao projeto de construção do socialismo, com independência e soberania, dispostas e preparadas a defendê-lo. O povo venezuelano conta com uma Força Armada real e verdadeiramente bolivariana, portanto verdadeiramente nacional. Um corpo essencialmente patriótico, popular, revolucionário, anti-imperialista e socialista. É inegável o papel protagônico que a Força Armada Bolivariana está desempenhando na construção coletiva de uma sociedade cada vez mais justa, uma sociedade em transição para o socialismo.
Allende, a seu tempo, quis implantar o socialismo por meios pacíficos mas não tinha as armas a seu lado. Aprendendo as lições da história, Chávez pavimentou o caminho rumo ao socialismo, pacificamente, apoiado belo braço armado.
Maringoni põe em dúvida a capacidade de Nicolás Maduro de segurar o bastão que Chávez lhe confiou. Maduro pode não ter o carisma de Chávez, mas provou-se um quadro altamente qualificado como presidente da Assembleia Nacional e chanceler nos últimos seis anos e meio.
Maduro é mais. Tem sólida formação ideológica, social e política e é um dos artífices da construção partidária e das diretrizes políticas consubstanciadas no “Plano Socialista da Nação”. Ainda que sem a presença física de Hugo Chávez, Maduro será capaz de liderar a nação na consolidação de uma forte e influente democracia socialista.
Fonte: Opera Mundi
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