sábado, 9 de fevereiro de 2013

Valter Pomar: PT, um partido ímpar

“Temos quer voltar a ser um partido que atua também nos anos ímpares e que sabe combinar luta social, luta ideológica, construção e partidária, com disputa eleitoral, ação parlamentar e governamental”

Valter Pomar, membro do Diretório Nacional do PT e Secretário Executivo do Foro de São Paulo, faz uma análise da trajetória do partido que completa 33 anos, no dia 10 de fevereiro. Ele fala sobre os dez anos do partido frente ao Governo Federal; e a necessidade de que o Processo de Eleições Diretas - PED, que será realizado este ano, seja capaz de formular uma nova estratégia para o PT enfrentar a atual situação política nacional e mundial.

O PT completa 33 anos no dia 10 de fevereiro. Qual é a diferença do PT de 1980 e de hoje?

A principal diferença é que hoje somos governo nacional e temos melhores condições para materializar nossas propostas. Mas conquistamos a presidência de República em condições muito diferentes daquelas que existiam em 1980 ou em 1989. O PT é diferente, o Brasil é diferente, a América Latina e o mundo são diferentes.

O que mudou desde fundação do PT para cá?


De maneira geral, a onda neoliberal que começou nos anos 1970 afetou negativamente o mundo do trabalho, as nações em desenvolvimento, o estado de bem estar europeu, o socialismo de tipo soviético e causou imensos estragos na cultura progressista, democrática, de esquerda em todo o mundo. Tudo isto constrange o potencial de um governo de esquerda.

Como, apesar deste contexto negativo, o PT ganhou as eleições presidenciais?

Há várias causas. O neoliberalismo chegou tardiamente no Brasil, quando já estava refluindo no resto do mundo. Em parte por isto, em parte por nossas virtudes, conseguimos impedir os tucanos de implementar o neoliberalismo até o fim: por exemplo, preservamos estatais importantes, como o Banco do Brasil e a Petrobras. O que quer dizer que correlação de forças aqui não era tão negativa quanto em outras partes. Por outro lado, apesar de também ter sido impactado, o PT conseguiu ampliar sua influência eleitoral nos anos 90, o que funcionou como um contraponto ao refluxo das lutas sociais naquele mesmo período e funcionou como um acúmulo de forças fundamental para entender a vitória de 2002. E, por fim, há um fato importantíssimo: uma parte da burguesia brasileira estava descontente com o fundamentalismo neoliberal de FHC e não fez contra Lula 2002 o que havia feito contra o Lula 1989. Essas são algumas das causas que nos levaram a vencer. A correlação de forças não impediu o PT de ganhar as eleições presidenciais de 2002, mas produziu um governo muito diferente do que faríamos, por exemplo, se tivéssemos vencido em 1989. Naquela época teríamos um governo de esquerda, já a partir de 2003 tivemos um governo de centro-esquerda.

Em que o PT avançou?

Aqui é preciso distinguir as coisas. O PT nos anos 80 era o partido da luta contra a ditadura e contra a transição conservadora, um partido de oposição, ancorado nas lutas sociais e no socialismo como objetivo. Já nos 90 nos convertemos em alternativa de governo contra o neoliberalismo. E a partir de 2003, viramos o partido do presidente da República. Assim, do ponto de vista de massa, nossos êxitos se confundem com os êxitos do governo, que de maneira muito resumida consistem em ter melhorado a vida do povo, recuperado o papel do Estado e adotado uma política de integração regional. Numa frase, estamos nos desfazendo da herança maldita do neoliberalismo. Mas o Partido não pode ser avaliado apenas pelo que fez ou deixou de fazer enquanto governo. Temos objetivos históricos que vão muito além daquilo que um governo é capaz de fazer. E, neste aspecto, o balanço é mais contraditório.

Você acha que nesses anos o PT retrocedeu?

As pesquisas, inclusive as nossas, mostram que o PT segue sendo o partido com maior apoio popular, 24%, muito à frente do segundo colocado, que é o PMDB, com 6%. Mas somos os maiores, num ambiente em que cai o número de brasileiros e brasileiras que manifestam preferência por algum partido: 61% em 1988, 44% em 2012. De maneira geral, podemos dizer que nos últimos dez anos melhoraram as condições materiais de vida do povo brasileiro, mas a subjetividade popular não acompanhou o ritmo. Por subjetividade, eu me refiro ao ambiente cultural em geral, à postura dos meios de comunicação e da indústria cultural, à qualidade da educação pública, à auto-organização social, à democratização da política e à vida interna dos partidos. No concreto: hoje no PT temos mais filiados-eleitores que filiados-militantes. E nossa vida interna, nosso debate, está longe, muito longe, da que necessitamos para governar e principalmente transformar profundamente o país.

Apesar disto, podemos falar que o PT é hoje o maior partido de esquerda da América Latina e um dos maiores do mundo?

Eu evito usar esta expressão, porque me recorda uma frase de um ministro da ditadura militar acerca da Arena. Brincadeiras a parte, o PT não é dos maiores partidos do ponto de vista numérico. Pode ser que esteja enganado, mas acho que o percentual de brasileiros filiados ao PT é inferior ao de uruguaios filiados à Frente Ampla. Aliás, o PT precisa crescer muito em número de filiados, o que exigirá garantir a existência de núcleos, de formação e de comunicação partidária. Mas voltando a tua pergunta, embora numericamente possamos não ser os maiores, ao menos proporcionalmente, do ponto de vista político o PT é visto hoje como um dos partidos mais importantes do mundo e da América Latina. Não apenas porque governamos o Brasil, com os êxitos já citados, mas também porque expressamos uma esquerda que soube resistir relativamente bem à crise do socialismo soviético e da social-democracia.

Quais os principais desafios do Partido para o próximo período?

Um dos desafios é não viver do passado glorioso, nem se conformar com o presente exitoso. Noutras palavras: o PT não pode virar um partido que tem um grande passado pela frente. Até porque, se fizermos isto, seremos derrotados pela direita, que está se renovando, se reciclando, nos atacando e experimentando caminhos para nos derrotar. Outro desafio é deixar de ser um partido de anos pares, ou seja, um partido que vive fundamentalmente em função dos processos eleitorais, dos governos, dos mandatos parlamentares e do pagamento das dívidas das campanhas anteriores. Temos quer voltar a ser um partido que atua também nos anos ímpares e que sabe combinar luta social, luta ideológica, construção e partidária, com disputa eleitoral, ação parlamentar e governamental. Foi com esta combinação de formas de luta que acumulamos forças para vencer em 2002. Um terceiro desafio é construir uma estratégia que nos permita passar para uma nova etapa, uma etapa de reformas estruturais no país. Aqui, em minha opinião, trata-se de atualizar o programa e a estratégia democrático-popular e socialista que o PT elaborou nos anos 80. Até porque, o sucesso relativo de nossa ação governamental está recolocando os dilemas estratégicos que o Brasil viveu naquela época. Evidentemente, um quarto desafio é a reeleição para a presidência em 2014, ampliar nossa presença nos governos estaduais e nos parlamentos.

Neste ano, além das comemorações dos 33 anos do PT, o partido realiza o Processo de Eleições Diretas. Qual é a importância do PED?

Depende. Se o regulamento do PED for respeitado, ou seja, se houver debate, democracia interna e, principalmente, se pararmos de importar para dentro da nossa vida interna práticas oriundas das eleições tradicionais, se tudo isto for feito, o PED pode ser muito importante para formular uma nova estratégia para o PT enfrentar a nova situação política, nacional e regional e mundial. Resumidamente: em parte por causa dos efeitos da crise, em parte porque a burguesia não gosta da combinação de salários altos e desemprego baixo, está ocorrendo uma mudança na postura do grande capital frente ao governo federal encabeçado pelo PT. Ou seja, estão deixando de existir aquelas condições excepcionais que permitiram a um governo de centro-esquerda, liderado por Lula, melhorar a vida dos pobres e garantir grandes lucros aos ricos. O PED é o momento de debater esta nova situação e de decidir que caminho seguir. Claro que haverá os que defendem que o caminho a seguir é fazer concessões ao capital, via concessões, desonerações, subsídios e flexibilizações na legislação trabalhista e social. Confio, entretanto, que a maioria do Partido vai optar por outro caminho: mais democracia, reformas estruturais, fortalecer o mundo do trabalho, reafirmar nossos compromissos socialistas.

O que diria para o militante petista e para o simpatizante do partido nos 33 anos do PT? Qual é hoje o principal inimigo e a principal ameaça ao PT?

Se me pedem para escolher um, eu diria que o principal inimigo é o monopólio da mídia. Hoje, as grandes empresas de comunicação são o quartel-general da direita, dos conservadores. Não apenas do antipetismo, mas anti-esquerda, anti-movimentos sociais, anti-democracia. Agora, a principal ameaça que paira sobre nós é a postura conivente, complacente, tímida, recuada, com que alguns setores do PT e da esquerda em geral tratam este tema. O inimigo está na dele, está fazendo o seu papel, que é o de nos desmoralizar para nos destruir. O problema está em como atuamos frente a isto. Temos que construir os nossos meios de comunicação próprios, temos que democratizar a verba publicitária dos governos que dirigimos, temos que fazer cumprir as leis (por exemplo, parlamentares não podem ser proprietários de concessões públicas de rádio e TV) e temos que alterar a legislação que regula a comunicação social.

Mas o PT já está há dez anos no governo e, como você diz, pouco avançamos na tão sonhada democratização da comunicação. Por quê?

Na minha opinião, prevaleceu no governo uma linha incorreta, de conciliação com as grandes empresas de comunicação. O problema de fundo é o seguinte: a saúde é um direito público, a educação é um direito público, é dever do Estado garantir estes direitos, podendo o setor privado ter um papel complementar, mas sob supervisão pública. Pois bem: na comunicação deveria valer o mesmo critério. Mas na prática segue prevalecendo o contrário: a informação e a comunicação são controlados pelo setor monopolista privado, com quase nenhuma supervisão pública, mas com amplo financiamento público via propaganda governamental. Nós temos os recursos humanos e financeiros necessários para ter uma comunicação pública de imensa qualidade, assim como para ter uma comunicação privada democrática e plural; falta vontade política. E temos a obrigação de democratizar as verbas publicitárias, muito mais do que aquilo que já foi feito.

Quero insistir no assunto governo. Em 2013, o partido também comemora os 10 anos do Governo Democrático e Popular. O PT conseguiu os avanços a que se propôs enquanto governo e se manteve fiel à sua plataforma?

Não foram dez anos de governo democrático-popular. Foram dez anos de governo federal encabeçado pelo PT. Assim está, aliás, no documento que convoca o Quinto Congresso petista. Infelizmente, na hora de dar nome ao evento, acho que alguém ficou com medo de melindrar os aliados com a história de encabeçado pelo PT; e como falar de governo de centro-esquerda é meio frustrante, tacaram a expressão democrático-popular. Sei que para alguns pode parecer uma firula terminológica, mas não é: precisamos exatamente de um governo que faça reformas estruturais no país, por exemplo, a tributária e a agrária, e o nome que sempre demos a isto foi exatamente governo democrático-popular. Feita esta ressalva, a resposta a tua pergunta é: mais ou menos. A plataforma do PT não foi globalmente executada nestes dez anos de governo. Em alguns casos, porque a correlação de forças impediu; noutros casos, porque durante muitos anos prevaleceu no Partido a tese de que é melhor um mal acordo do que uma boa briga. Apesar disto, estes dez anos podem e devem ser comemorados: com todas as limitações e contradições, trilhamos o caminho da superação do neoliberalismo, melhoramos a vida do povo e incentivamos a integração regional. Historicamente, não é pouca coisa. Mas, também historicamente, não é o suficiente. A desigualdade continua brutal, a maioria do povo ainda não tem acesso ao bem-estar social, a democracia política continua refém das elites.

Você é um dos dirigentes da Articulação de Esquerda, tendência petista que este ano está comemorando 20 anos de fundação. De que forma a AE colaborou para a construção do PT e no que continua a colaborar?

Nos anos 80, a tendência hegemônica no PT era a chamada Articulação. Depois de 1989, houve um grande debate no Partido e nesta tendência, sobre como atuar no contexto da ofensiva neoliberal e da crise do socialismo. Este debate resultou, primeiro, numa guinada à direita, que se tivesse prevalecido teria transformado o PT num partido social-democrata. Num segundo momento, como reação, houve um giro à esquerda: entre 1993 e 1995, uma precária maioria de esquerda controlou o Diretório Nacional do PT. Num terceiro momento, a maioria de esquerda foi desalojada: perdemos o 10º Encontro Nacional do PT por apenas 2 votos na tese guia e 16 votos na escolha do presidente do Partido. Durante dez anos, entre 1995 e 2005, a esquerda partidária cumpriu um papel de resistência, oscilando entre 45% e 30% do Diretório Nacional. A Articulação de Esquerda vertebrou, ao lado de tendências como a Democracia Socialista e a Força Socialista, esta resistência. Certamente cometemos muitos erros, mas olhando para trás acho que cumprimos um papel importante para o PT: sem nós, sem a pressão que exercíamos, a maioria moderada do PT poderia ter levado o Partido para um caminho de desacumulação de forças. Dou como exemplos disto: a tentativa de fazer o PT participar da revisão constitucional, que poderia ter nos custado algumas estatais; a tentativa de aprovar o parlamentarismo, que inviabilizaria de fato o governo Lula; a tentativa de lançar outro candidato presidencial, que não Lula, em 1998; e as ridículas tentativas de tratar o PSDB como nosso aliado, tentativas que até recentemente causaram desastres, como em Belo Horizonte.

Qual é o principal legado da AE e desafios daqui para frente?

Acho que nosso principal legado foi o que ajudamos a fazer em 2005. Naquele ano, a direita se empenhou a fundo em destruir o PT. Aproveitou-se, para isto, de erros cometidos por setores do próprio Partido. E, frente ao ataque da direita, outros setores do Partido se acovardaram ou ficaram em tamanha defensiva que não conseguiam, nem mesmo, dizer um único motivo para acreditar, defender e votar no PT. Nós da Articulação de Esquerda, igual a outros setores do petismo, não titubeamos em defender o PT e acho que cumprimos ali um papel muito importante. Embora, é preciso dizer, o papel fundamental tenha sido cumprido pelo petista anônimo, aquela montanha de gente que não apenas foi votar no PED de 2005, mas defendeu o PT na rua.

A AE terá candidato no PED. Quem será? Qual a plataforma da corrente para o PT?

Teremos candidato, que pode ser alguém da própria Articulação de Esquerda, neste caso provavelmente eu mesmo, assim como pode ser alguém integrante de outro setor, desde que óbvio tenha identidade programática com aquilo que defendemos. Nossa plataforma estará disponível provavelmente em março, no endereço www.pagina13.org.br Seu componente central é: uma nova estratégia para um novo período. Basicamente, defendemos que é preciso passar da ênfase na superação do neoliberalismo, para a ênfase nas reformas estruturais. E que para isto é preciso outro tipo de comportamento partidário: mais mobilização, mais organização de base, mais formação, mais comunicação, mais defesa do projeto socialista. Um partido também para os anos ímpares, como creio já ter dito antes.

Qual é a sua avaliação sobre a crise de 2005 e a AP 470?

A crise de 2005 tem duas facetas: por um lado, o ataque hipócrita da direita, que tentou transformar um caso de caixa 2 numa crise constitucional e no supostamente maior escândalo de corrupção na história do país; por outro lado, os erros de importantes dirigentes, que se terceirizaram parte das finanças partidárias para um criminoso tucano chamado Marcos Valério. Como a direita não conseguiu nos destruir em 2005, nem conseguiu nos derrotar em 2006 e 2010, abriu-se para eles o caminho da judicialização da política em geral, e para esta estratégia o caso de 2005 caia como uma luva. Por isto sempre afirmei que o processo no Supremo Tribunal Federal resultaria em condenações. Curiosamente, alguns dos condenados achavam o contrário. A mesma ilusão de classe que os levou a promiscuidade com Marcos Valério, os levou a acreditar no suposto caráter técnico da corte suprema. Claro que para fazer as condenações, foi necessário criar uma nova jurisprudência. Aos inimigos, nem mesmo a lei...

O que você pensa sobre os atos que são organizados Brasil afora pelo companheiro José Dirceu?

Eu penso que ele está no direito dele se defender, até porque sua condenação foi sem provas. Mas se eu fosse ele, agiria totalmente diferente. Primeiro, pelo papel que ele jogou na construção do PT e na direção do Partido durante a primeira fase do governo Lula, acho que ele tem a obrigação de apresentar um balanço crítico e autocrítico de sua atuação. Em segundo lugar, acho que ele deveria acompanhar as deliberações do Diretório Nacional do PT acerca do assunto, que evitam cair na armadilha montada pela direita, que pretende transformar as condenações de alguns filiados em condenação de todo o Partido. Na minha opinião, Dirceu não percebe que a tarefa de defender o PT não deve ser confundida com a tarefa de defender os condenados pelo STF. Em terceiro lugar e mais importante, eu teria enfrentado este tema ainda em 2005, assumindo a responsabilidade política pelos erros cometidos. Se tivéssemos feito isto, estaríamos todos nós, ele inclusive, em melhor condição, agora.

Então você acha que estes atos não ajudam ao Partido?

Como disse, acho que o Dirceu tem o direito de se defender. E acho que os militantes que se sentem solidários a ele, podem e devem participar. Mas na minha opinião política, estes atos não ajudam o Partido, não ajudam o governo e não ajudam os condenados. O PT deve continuar denunciando os atropelos cometidos pelo STF, deve continuar prestando solidariedade aos condenados, sem que isto implique em deixar de reconhecer os graves erros que foram cometidos. Mas a defesa do PT passa pela ação do Partido em torno dos grandes temas da pauta nacional. Quem quer e precisa colocar este tema no centro da pauta é a direita, não nós.

Qual é a posição da AE a respeito da reforma agrária? Qual é a avaliação da corrente sobre a atuação do governo nesta área?

Somos totalmente a favor da reforma agrária. Tanto antes, quanto agora. Seja para combater a inflação, seja por segurança alimentar, seja para democratizar a propriedade e o poder, a reforma agrária é fundamental. O desempenho dos nossos governos, nesta área da reforma agrária estritamente falando, é medíocre. O correto seria que a reforma agrária tivesse a mesma importância e a mesma qualidade que a política agrícola, o apoio aos assentados e aos pequenos produtores.

Financiamento Público de campanha é fundamental para que?

Para que haja democracia. Hoje, a eleição é deformada pelo poder do dinheiro. Não há democracia que resista a isto. E, como a grana chama grana, o investimento das empresas na democracia gera leis e governos em favor dos contribuintes, gerando também corrupção. A corrupção é um efeito colateral inevitável do financiamento privado empresarial das campanhas eleitorais.

Qual é a pauta prioritária para o PT no próximo período? Na sua avaliação em que devemos centrar nossas lutas?

Politicamente falando? Reforma política e democratização da comunicação. O PT tem que aproveitar este ano, aproveitar o PED, aproveitar seu Congresso, para debater com a sociedade brasileira sobre os grandes temas de nosso país, sobre o balanço de nossos governos, sobre os desafios futuros e sobre os grandes obstáculos políticos a este futuro, hoje: a influência do poder econômico nas campanhas eleitorais e a deformação informativa e comunicacional imposta pelos monopólios da mídia.

E com a classe trabalhadora qual deve ser a nossa relação?

O PT continua sendo o Partido preferido pela maior parte dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras. E também somos o partido preferido da maior parte dos militantes sociais. O problema é que a pauta da mobilização social, no sentido amplo da palavra, não apenas reivindicativo, não ocupa um lugar central na agenda das direções partidárias. Ao lado deste problema, que vem dos anos 1990, há um problema novo: o surgimento de uma nova classe trabalhadora, geracionalmente e sociologicamente, isto que alguns chamam indevidamente de nova classe média. O PT precisa buscar este setor, organizá-lo, mobilizá-lo, impedir que a direita o hegemonize. Em especial a juventude, com destaque para a juventude trabalhadora, que tem que ser reconquistada pelo PT. E para isto precisamos de uma conduta muito forte, que vai desde o funcionamento e postura do PT e da Juventude Petista, passando por fortalecer nosso agir cultural, as politicas de governo etc.

E  com os países da América Latina, da Europa que encontra-se em crise e EUA?

O PT tem uma política internacional bastante ativa, mas os recursos humanos e materiais disponíveis são ínfimos perante a imensidão da tarefa. Na secretaria de relações internacionais do PT temos, contando dirigentes e funcionários, sete pessoas. Quando contamos isto para os chineses ou para os franceses, eles não conseguem acreditar: seus departamentos de relações internacionais contam com mais gente. Se o PT quiser ampliar sua influência internacional, precisamos conhecer mais, elaborar mais, difundir mais o que fazemos e ter presença física mais intensa em todo o mundo. Não são tarefas difíceis em si, apenas exigem recursos, empenho e paciência para formar novos quadros. Felizmente, embora o PT estrito senso tenha pouca gente envolvida, o petismo no sentido amplo da palavra é muito presente na vida internacional, através dos nossos quadros que atuam na área, seja em movimentos sociais, ONGs, nas universidades e centros de pesquisa, governos e parlamentos. Este petismo internacionalista é fundamental para o PT e muitas vezes é o que suplemente a debilidade do aparato partidário.

O que é ser socialista e defender o PT?

É fazer o que fazemos. Claro que quando eu vou a algumas atividades, onde a mesa de debate é composta apenas por organizações de ultra-esquerda, uma mais radical que a outra, é difícil. Mas quando eu lembro que o Brasil real é completamente diferente da composição daquela mesa de debate, quando eu lembro que a esquerda brasileira detém apenas 30% do parlamento nacional, quando eu lembro o ódio que a burguesia, a direita e o PIG têm contra o PT, quando eu penso no papel que o PT e o governo brasileiro jogam no mundo, quando eu penso no quanto melhorou a vida do povo nesses dez anos, aí eu acho que defender o PT é uma das coisas mais fáceis e necessárias.

De maneira similar, quando vou a reuniões dominadas por gente acrítica e burocratizada, que acham que está tudo 100% bem, que tem como horizonte máximo administrar, fica difícil. Mas basta mudar de ambiente, para ver que há dezenas ou centenas de milhares de petistas que não querem apenas governar, querem transformar o país e o mundo. Que não aceitam o neoliberalismo e o capitalismo como horizontes intransponíveis. E que não entraram no PT para fazer carreira, para ter cargos, mas sim para organizar e potencializar sua militância. Nestas horas, eu continuo achando válida uma opinião que eu tinha nos anos 80, ou seja, que o petismo pode ser o socialismo adequado às condições brasileiras. A conferir, pois esta história ainda está sendo escrita.


Publicado em Página 13

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Leia e assine o jornal Página 13


Página 13 n° 117 - Fevereiro de 2013 -> versão integral -> assinaturas

Editorial: Defender o PT - Pág. 2

Santa Maria: Uma tragédia quase anunciada - Diego Adolfo Pitirini - Pág. 3

Nacional: Desafios para 2013 no Congresso - Senadora Ana Rita PT-ES - Pág. 4

Internacional: Brasil vai sediar XIX Encontro do Foro de São Paulo - Pág. 5

Partido: Muita história para contar e fazer - Rodrigo César - Pág. 6

Partido: Desafios e tarefas da FPA - Iole Ilíada - Pág. 7

Internacional: Muito além do progressismo - Valter Pomar - Págs. 8 e 9

Juventude: Queremos a UNE nas ruas! - Jonatas Moreth - Pág. 10

Educação: Para a classe trabalhadora - Jorge Braga - Pág. 11

Vereadores: Combatividade é a marca do mandato - AE Ceará - Pág. 12

Governos Estaduais: Dois anos de Governo Tarso e a reconstrução de um Estado - Marcel Frison - Págs. 13 e 14

Esportes: "Olé" nasceu no México - João Saldanha - Pág. 15

Homenagem: João Zinclar - Vitória Ferraro - Pág. 16

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

AFBNB: Sempre presente na luta


Por Rita Josina - presidenta da AFBNB

A Associação dos Funcionários do BNB (AFBNB) completa neste mês de fevereiro 27 anos de fundação. A entidade, que nasceu no período de redemocratização do país, procura se renovar a cada ano, de forma a manter viva sua essência de luta em defesa dos trabalhadores do Banco do Nordeste do Brasil, do próprio Banco enquanto indutor do desenvolvimento do Nordeste e da região, buscando contribuir com formas de redução das desigualdades regionais, através da produção de documentos e de ações de articulação político-institucional.

Os desafios enfrentados ao longo desse período foram muitos, alguns superados com êxito – como quando da mobilização desta entidade para a criação do FNE, uma das principais fontes de financiamento do BNB, nos anos 80 e mais recentemente no trabalho institucional feito pela Associação que resultou no aumento do capital social do BNB, medida que impacta positivamente na região – outros ainda carentes de avanços concretos, sobretudo relacionados a pendências históricas dos trabalhadores do Banco.

Nessas quase três décadas muita coisa mudou, como as formas de mobilização dos trabalhadores e a capacidade de organização da entidade. Algumas, no entanto, se mantêm, como as ameaças às instituições de desenvolvimento regional, como o BNB, as quais no entendimento da AFBNB cumpriram um papel importante no Brasil e ainda têm muito a contribuir e a luta de classes que coloca de lados opostos patrões e empregados.

É nesse cenário de disputa – tanto no âmbito macro, dos interesses da região Nordeste, quanto no espaço restrito aos trabalhadores do BNB – que se insere a Associação, buscando a cada dia estratégias diferenciadas de continuar combatendo o bom combate, sem perder de vista seu foco, sua coerência e sua missão, com autonomia e determinação – marcas incontestes de sua história. Vida longa à Associação dos Funcionários do BNB!


Fonte: AFBNB

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Queremos botar a UNE na rua!

http://reconquistaraune.com.br/
Durante os dias 18 á 21 de Janeiro, a União Nacional dos Estudantes, mais uma vez demonstrando sua força e capilaridade nas universidades brasileiras, reuniu em Recife, na UFPE, mais de 3.500 estudantes para o seu 14° CONEB – Conselho Nacional de Entidades de Base que teve como tema central a construção do nosso projeto de Reforma Universitária.

Fomos á Recife com a bagagem cheia de expectativas, seja porque a importância dos Centros e Diretórios Acadêmicos na rede do movimento estudantil fazem do CONEB o espaço da UNE com maior riqueza de debates, seja porque o momento político exigia de nossa entidade uma maior reflexão sobre a universidade brasileira.

Defendemos que a UNE e o movimento estudantil nacional saia das amarras de ser pautado e dividido pelos programas governamentais para inaugurar um novo momento no movimento estudantil brasileiro. Para isto precisa de forma democrática, politizada e unitária apresentar ao conjunto da sociedade um completo e profundo programa de Reforma Universitária. O CONEB teve este desafio.

Neste CONEB tivemos um significativo avanço político e organizativo se comparado com os CONEB’s de Salvador (2009) e Rio de Janeiro (2011). Mesmo se repetindo os corriqueiros problemas de estrutura de alojamento e banho, em especial para a oposição, a programação política foi mantida. Os espaços ocorreram no horário; tivemos boa diversidade de pensamento na composição das mesas; a programação foi descentralizada em um número maior de debates de forma que mais estudantes pudessem participar e os GD’s funcionaram ainda que em horários de pouca participação. 

Ainda sim, mantemos nossa firme posição contrária ao CONEB ser realizado conjuntamente com a Bienal de Arte e Cultura. Fazer isto esvazia ás duas atividades; cansa os participantes e torna a programação muito extensa além de não envolver os artistas e militantes culturais na rede tradicional do movimento estudantil representada no CONEB. Ademais, repudiamos a divulgação priorizando a Bienal e sem ou com pouca menção ao CONEB, como foi feito no jornal da UNE e nas chamadas na Rede Globo.

Na política tivemos um debate em alto nível e a plenária final nos apresentou interessantes surpresas que podem ensejar em algumas novidades para o próximo Congresso da UNE.

Na resolução sobre Movimento Estudantil, nós da Juventude da Articulação de Esquerda/Reconquistar a UNE em conjunto com os companheiros dos Coletivos Quilombo, Mudança e Levante Popular da Juventude nos apresentamos enquanto alternativa de direção ao atual campo majoritário de forma a recolocar a UNE nos trilhos da combatividade  através de uma resolução fundamentada nos seguintes princípios: fortalecimento da democracia interna da UNE; criação de mecanismos de comunicação que cheguem a base do movimento; maior transparência na condução das finanças e total independência perante Governos e Partidos.

Tal postura conseqüente e que dialoga com os anseios de boa parte dos estudantes presente ao Conselho surtiu bons efeitos. Foi este campo, e não mais a dita Oposição de Esquerda (PSOL e PCR) que conseguiu força e política suficiente para polarizar com o campo majoritário.

De nossa parte pretendemos continuar com a construção e o fortalecimento deste campo popular, mesmo cientes de seus limites e dificuldades. Limites e dificuldades estes que se mostraram na votação da resolução sobre Educação e Reforma Universitária, onde o campo popular não se repetiu e votamos sozinhos nossa proposta.

Não apresentamos uma proposta de resolução alternativa apenas para demarcar com o campo majoritário, mas sim por entendermos que a polarização entre o campo majoritário e a oposição de esquerda não contempla a imensa diversidade do movimento estudantil; por não mais nos interessar o falso consenso, ou apenas ter resoluções avançadas no papel e por entendermos que havia pontos cruciais como o projeto de universidade democrática e popular que não estava contemplado na proposta aprovada.

Após mais um CONEB, temos a convicção que continua viva e latente a necessidade da construção de uma alternativa de direção ao campo majoritário que faça com que nossa entidade nacional cumpra um papel ainda mais ativo na organização dos estudantes, tornando o movimento estudantil num forte movimento de massas capaz de transformar a Universidade e o país.

Somos aqueles que acreditam ser possível mudar o Movimento Estudantil, a UNE e o Brasil. Acreditamos ser necessário no centro da própria engrenagem, inventar a contra-mola que resiste e Reconquistar a UNE para ás lutas e para os estudantes!


Publicado por Reconquistar a UNE

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Editorial: 33 anos de PT

Editorial do Página 13 - fevereiro de 2013


Esta edição de Página 13 é dedicada ao aniversariante Partido dos Trabalhadores, que no dia 10 de fevereiro comemora seus 33 anos. Idade na qual a direita pretende nos crucificar.

É fundamental defender o PT. Mas é preciso deixar claro o que significa, para nós, defender o PT.

Defender o PT é manter nossos compromissos com a classe trabalhadora, com o socialismo, com as reformas estruturais, com um desenvolvimento democrático e popular, na luta contra o neoliberalismo e o capitalismo.

Defender o PT é atualizar nossa estratégia política, para a nova situação política aberta após 10 anos de governo federal encabeçado pelo PT, num contexto de crise internacional do capitalismo e de progresso da integração regional.

Defender o PT é recuperar nossa capacidade de fazer luta política e social cotidiana, não apenas nem principalmente em anos pares, nos processos eleitorais, governos e mandatos parlamentares.

Defender o PT é governar, em benefício do povo, o Brasil, os estados e municípios que dirigimos. E implementar mandatos legislativos combativos, que não se curvem ao cretinismo parlamentar e ao fisiologismo tão hegemônicos neste meio.

Defender o PT é levantar bem alto as bandeiras da reforma  política e da democratização da comunicação social. E demonstrar nosso compromisso prático com estas bandeiras, garantindo a autonomia financeira do Partido e criando nosso jornal diário e outros meios próprios de comunicação.

Defender o PT é construir um partido democrático, militante e de massas, baseado num projeto coletivo, nunca uma somatória de interesses individuais, onde uns se acham com mais direitos do que os outros. Um partido que saiba construir o futuro, que tenha muito mais que um grande passado pela frente.

Defender o PT é manter uma relação de honestidade política com a classe trabalhadora. O que inclui reconhecer e corrigir, sempre que necessário, os erros coletivos ou individuais cometidos por filiados ao PT.

Defender o PT é denunciar que o julgamento da Ação Penal 470 atropelou diversos quesitos indispensáveis para a legalidade e legitimidade da Justiça. A alguns dos acusados petistas, nem mesmo a lei foi garantida.

Defender o PT é criticar o STF, prestar e seguir prestando a solidariedade devida aos condenados. Mas não confundir sua defesa, com a defesa do PT. Nem abrir mão de exigir as devidas autocríticas, daqueles que facilitaram –por exemplo, com sua associação com o criminoso tucano Marcos Valério--  os ataques que a direita faz hoje ao PT.

Defender o PT é considerar que os inocentes tem o direito e o dever de se defender. E ninguém deve pedir autorização para ser solidário com quem julga vítima de uma violência. Depois de deixar isso bem claro, não custa lembrar: consideramos um erro político transformar em centro da tática o tema do julgamento; e um erro ainda maior conferir protagonismo aos condenados, nas ações em defesa do PT. Para se defender, o PT não pode ficar na defensiva, nem facilitar os ataques de nossos inimigos.
               
Defender o PT é uma necessidade, sempre. Em 2013, ainda mais necessário. É o que deve fazer cada militante petista e o que fazem as chapas e candidaturas petistas com que disputamos o processo de eleição direta das direções partidárias, bem como os debates do quinto congresso partidário, no ano de 2014.

Os editores


Publicado no sítio Página 13

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mandato já começa atuante

Deodato Ramalho
No seu primeiro mês de atuação, mesmo em meio ao recesso parlamentar, o mandato do Vereador Deodato Ramalho (PT Fortaleza) já iniciou suas atividades. Na sessão extraordinária para eleição da mesa diretora da Casa, a bancada do PT, inconformada com a interferência do Executivo e com o desrespeito à proporcionalidade na sua composição, apresentou o nome do vereador Deodato como candidato à Presidência. Em 2 de janeiro, o vereador deu entrada em vários projetos de leis ambientais e requerimentos de audiências públicas. No dia 26 de janeiro, aconteceu o planejamento da atuação da assessoria e em fevereiro está prevista a entrada no ar do sítio do mandato, com espaço para interatividade na rede.


Leia a matéria na íntegra no Jornal Página 13 n° 117 - Fevereiro de 2013

Acampamento da Juventude da AE no DF


Aconteceu de 1 a 3 de fevereiro, no Jardim Botânico de Brasília, o primeiro Acampamento da Juventude da Articulação de Esquerda no DF, com muitos debates sobre socialismo, PT, juventude(s) e sobre a História do DF. A banda Calango Rasta e poetas do grupo Radicais Livres se apresentaram no sarau, que juntamente com as trilhas ecológicas e o plantio de uma muda de árvore pel@s participantes também compuseram a programação.


Com informações do sítio da AE-DF

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Há 160 anos, nascia José Martí, o grande mártir da Independência de Cuba

Os ideais de Martí, junto com o marxismo-leninismo, guiam a política de Cuba até hoje

José Martí
Síntese Cubana

Na segunda-feira, 28 de janeiro de 2013, comemorou-se o 160º aniversário de nascimento do mentor intelectual dos revolucionários cubanos, José Julián Martí Pérez (Havana, Cuba, 28 de janeiro de 1853 – 19 de maio de 1895, Dos Rios, Cuba).

Filho de pai espanhol e mãe natural das Ilhas Canárias, José Martí é considerado o apóstolo e o grande mártir da Independência de Cuba em relação à Espanha. Além de poeta e pensador fecundo, desde sua mocidade demonstrou sua inquietude cívica e sua simpatia pelas ideias revolucionárias que gestavam entre os cubanos.

Influenciado pelas ideias de independência de Rafael Maria de Mendive, seu mestre na escola secundária de Havana, iniciou sua participação política escrevendo e distribuindo jornais com conteúdo separatista no início da Guerra dos Dez Anos. Com a prisão e deportação de seu mestre Mendive, cristalizou-se a atitude de rebeldia que Martí nutria contra a dominação espanhola.

Em 1869, com apenas 16 anos, publicou uma folha impressa separatista, El Diablo Cojuelo, e o primeiro e único número da revista La Patria Libre. No mesmo ano passou a distribuir um periódico manuscrito intitulado El Siboney. Pouco depois foi preso e processado pelo governo espanhol por estar de posse de papéis considerados revolucionários. Foi condenado a seis anos de trabalhos forçados, mas passou somente seis meses na prisão até que, em 1871, com a saúde debilitada, sua família conseguiu um indulto e obteve a permuta da pena original pela deportação à Espanha. Na Espanha, Martí publicou, naquele mesmo ano, seu primeiro trabalho de importância: “El Presidio Político en Cuba”, no qual expõe as crueldades e os horrores vividos no período em que esteve na prisão em Cuba. Nesta obra já se encontrariam presentes o idealismo e o estilo vigoroso que tornariam Martí conhecido nos círculos intelectuais de sua época. Mais tarde dedicou-se ao estudo do Direito, obtendo o doutorado em Leis, Filosofia e Letras da Universidade de Zaragoza em 1874.

Em 19 de maio de 1895, no comando de um pequeno contingente de patriotas cubanos, após um encontro inesperado com tropas espanholas nas proximidades do vilarejo de Dos Ríos, José Martí foi atingido e faleceu em seguida. Seu corpo, mutilado pelos soldados espanhóis, foi exibido à população e posteriormente sepultado na cidade de Santiago de Cuba, em 27 de maio do mesmo ano.

Para Martí, a luta deveria ser uma verdadeira transformação cubana em todos os aspectos: econômico, político e social. Os ideais de Martí, junto com o marxismo-leninismo, guiam a política de Cuba até hoje.


Publicado no Brasil de Fato

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Eletricitários do Ceará iniciam Campanha Salarial

Para conhecimento da sociedade cearense de como a dita melhor empresa distribuidora de energia do país tem tratado seus trabalhadores: de forma desrespeitosa, pois no ano de 2012 a COELCE obteve 14 prêmios e, até setembro de 2012, um lucro na ordem de 274 milhões de reais.

Como é que a empresa alega não poder fechar um acordo mínimo e irrisório diante deste resultado que é fruto do trabalho, do esforço e da dedicação de cada um dos seus funcionários?

Assista a entrevista do Presidente do Sindeletro-CE, Fernando Avelino, que informa ainda que nem o acordo do ano passado foi cumprido:


Eletricitários do Ceará iniciam Campanha Salarial from PORTAL CNEWS on Vimeo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Brasil sedia o XIX Encontro do Foro de São Paulo


Secretário executivo do FSP, Valter Pomar, fala sobre as atividades e os temas principais do evento que será realizado na capital paulista

O Brasil irá sediar o XIX Encontro do Foro de São Paulo que ocorrerá no segundo semestre de 2013. Conforme decisão do Grupo de Trabalho, reunido no Chile em 17 de janeiro, o Encontro será realizado na capital paulista no período de 31 a 04 de agosto.

Em entrevista ao Portal do PT, o secretário executivo do FSP, Valter Pomar, falou sobre as atividades que serão desenvolvidas durante o evento internacional que reunirá representantes das organizações partidárias que compõem o Foro, parlamentares, lideranças sociais, intelectuais e militantes. Pomar, que é dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores, espera que o ato público de abertura no dia 2 de agosto reúna em torno de duas mil pessoas.

Segundo ele, além dos seminários sobre temas da política internacional, também serão realizados encontros com parlamentares, juventude, mulheres e afrodescendentes, oficinas temáticas e a grande plenária do Encontro. “A pauta do Encontro é ampla, geral e quase irrestrita. Além disso, queremos que o XIX Encontro tenha uma forte marca cultural; e que permita o contato das delegações internacionais com a cidade de São Paulo”, resume Pomar.

Confira a íntegra da entrevista:

O XIX Encontro do Foro de São Paulo será realizada no Brasil. Quando e onde será o encontro? Quantos participantes são aguardados?

O XIX Encontro será realizado na cidade de São Paulo, entre os dias 31 de julho e 4 de agosto. O número de participantes é uma incógnita: uma parte virá de outros países e outra parte será composta de brasileiros e brasileiras. Eu acredito que no ato público de abertura, no dia 2 de agosto, poderemos chegar a cerca de duas mil pessoas. Espero que as instâncias partidárias, os parlamentares, os governantes, as lideranças sociais e a intelectualidade da esquerda brasileira, a começar pelos petistas, se mobilizem para participar.

O PT terá um papel especial neste grande encontro internacional, apesar de outros partidos brasileiros também fazerem parte do Foro?

Os partidos brasileiros integrantes do Foro de São Paulo são o PT, o PCdoB,  o PSB, o PDT, o Pátria Livre, o PCB e o PPS. Cada qual, na medida das suas possibilidades, será anfitrião. Ao PT caberá, certamente, um papel e uma responsabilidade especiais. Neste sentido, vamos trabalhar para que a direção nacional do Partido, Lula e Dilma, Fernando Haddad, nossos governadores, ministros e parlamentares possam se encontrar com as delegações internacionais.

Quais serão os principais temas da pauta do encontro?

O XIX Encontro é composto de um conjunto de atividades. Teremos as reuniões do Grupo de Trabalho e das secretarias regionais, que são cinco: Mesoamérica e Caribe, Andino-amazonica, Cone sul, Europa e EUA. Teremos os encontros de Juventude, Mulheres, Parlamentares, Autoridades Locais e Afrodescendentes. Teremos grandes seminários sobre África, Oriente Médio, Brics e um específico sobre os governos progressistas e de esquerda. Teremos oficinas sobre defesa, democratização da comunicação,  formação política, meio ambiente, migrações, movimentos sindicais, poder popular e movimentos sociais, povos originários, segurança alimentar, segurança e narcotráfico, trabalhadores da arte e cultura, união e integração latino-americana, processos eleitorais, desenvolvimento econômico, Estado e participação popular, políticas sociais. E, finalmente, teremos o Encontro propriamente dito, que é a plenária dos partidos membros. Ou seja, a pauta do Encontro é ampla, geral e quase irrestrita. Além disso, queremos que o XIX Encontro tenha uma forte marca cultural; e que permita o contato das delegações internacionais com a cidade de São Paulo.

Na sua opinião, quais temas da política internacional constantes da agenda vão merecer uma maior reflexão dos participantes?

Do ponto de vista regional, eu destacaria dois temas: como aprofundar as mudanças estruturais nos países que governamos;e como acelerar o processo de integração. E do ponto de vista internacional, eu destacaria outros dois temas: como evitar a escalada de guerras e como superar a crise mundial favorecendo os setores populares. É provável que ganhe destaque, também, o aniversário de 40 anos do golpe que derrubou o governo da Unidade Popular chilena.

Durante o XIX Encontro do FSP serão realizados debates que envolvem parlamentares, mulheres, afrodescendentes e juventude. Fale um pouco sobre esses encontros.

Cada um destes encontros tem uma história. Os parlamentares dos partidos do Foro reúnem-se há tempos, tendo como um de seus desafios articular uma ação conjunta nos vários parlamentos regionais já existentes. O encontro de juventudes está na sua quinta edição e faz parte de um esforço para renovar temática e geracionalmente a esquerda regional. Já o encontro de mulheres está na sua segunda edição, sendo que há toda uma estrada para percorrer para garantir a pauta de gênero. Finalmente, o encontro de afrodescendentes fará no Brasil sua primeira edição.

Apesar da Declaração Final só ser aprovada no encerramento do Encontro, na sua opinião qual será a tendência ou o ponto mais forte do conteúdo do texto?

Existem dois momentos: em março aprovaremos uma comissão redatora, em abril aprovaremos um documento base e em julho aprovaremos a declaração final. A idéia é que a Declaração final tenha um pouco de análise e muito de manifesto, portanto com um forte acento conjuntural. Certamente terão grande espaço a integração regional, as ações dos governos de esquerda e progressistas, as eleições presidenciais vindouras, a paz na Colômbia, a crítica as políticas conservadoras hegemônicas nos EUA e Europa, bem como uma dura condenação a ingerência externa e as intervenções militares hoje em curso. O fundamental, entretanto, não é a declaração em si, mas sim a possibilidade de intercâmbio de posições entre as diferentes esquerdas existentes no mundo e na América Latina. E, para nós da esquerda brasileira, a possibilidade de aprender com os partidos amigos e a oportunidade de mostrar quem somos, o que estamos fazendo, para onde vamos.


Por Geraldo Ferreira, do Portal do PT