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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

MST promove Ato político pela Democracia

Encontro da Coordenação Nacional do MST acontece no Ceará


O MST realizou um ato político em defesa da Reforma Agrária, dos Direitos Sociais e da Democracia que reuniu diversas organizações, representantes um amplo espectro das forças progressistas no país. Durante as falas, foi ressaltada a necessidade de mobilização da classe trabalhadora e de articulação entre suas entidades representativas durante 2017.

O evento ocorreu na noite desta quarta-feira (25), terceiro dia do Encontro da Coordenação Nacional do MST, que se realiza em Fortaleza (CE) e vai até sexta-feira (27). Cerca de 400 delegados e delegadas, vindos de todas as regiões do país, participam das atividades, focadas no debate da atual conjuntura política no Brasil.

Durante o ato, estiveram representantes de diversos partidos políticos, entidades estudantis, organizações de juventude e de mulheres, centrais sindicais e movimentos populares. O ex-vereador Deodato Ramalho esteve presente, juntamente com outros advogados(as) que apoiam a luta popular contra o golpe.

Juristas pela Democracia participam do Ato político

domingo, 31 de julho de 2016

Stédile: luta pelo FORA TEMER na ordem do dia


De volta à Fortaleza, o coordenador do MST proferiu palestra sobre a conjuntura política

O dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) esteve em Fortaleza na tarde desta terça-feira, 26, para fazer uma análise de conjuntura e tratar das discussões da Frente Brasil Popular (FBP) sobre as saídas para a crise política no país com o retorno de Dilma Rousseff (PT) à presidência da República

A FBP congrega dezenas de movimentos sociais que lutam contra o golpe parlamentar, apoiado por setores dominantes do capital internacional, da mídia e do judiciário, para implantar uma restauração neoliberal e desmontar programas sociais e direitos conquistados pela classe trabalhadora. A palestra, seguida de debate com a participação do público, ocorreu no Centro de Formação Frei Humberto, em Fortaleza.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Stédile: "É preciso mudar a política econômica"



Fala do João Pedro Stédile, em Fortaleza, em 23 de setembro de 2015

Transcrita por Rafael Tomyama, do vídeo gravado por Daniel Bezerra

"Estou deveras emocionado com este abraço que todos me deram, neste ato simbólico. E como já disseram, não tem nada de pessoal. É um abraço da classe trabalhadora, dos que querem mudanças neste país. E que de alguma forma eles tentaram ofender ontem à noite. Cá entre nós, não contem pra eles: não me senti nem um pouco agredido [aplausos]. É claro que demonstraram falta de educação, civilidade e respeito e intolerância à democracia. Mas tudo que estavam me dizendo era verdade, então fiquei quieto. [risos]. Eles falavam: 'O MST invade terra'. É pra isso que criamos o MST Queremos acabar com o latifúndio desse país! Enquanto houver latifúndio haverá ocupação de terras [aplausos], com o MST ou com o povo em geral que precisa de terra. Depois ficaram dizendo: 'Vão pra Cuba'. Eles nem sabem, já estamos lá em Cuba há tempos [mais aplausos]. Quero aqui de público agradecer o povo cubano, porque nesses dez anos, os movimentos e o povo brasileiro, formaram na Escola Latino-Americana de Medicina, 580 médicos pobres para trabalhar com o povo [aplausos]. E em certa ocasião estive visitando nossos estudantes - do MST foram 58 até agora - e saí de lá convencido que, entre os 580 que se formaram, havia mais médicos brasileiros negros do que em todas as universidades brasileiras [aplausos]. Então a nossa burguesia tem raiva de pobre, de preto, de tudo, porque ela ainda não saiu da casa grande e não consegue conviver com a senzala."

"Depois, pra terminar, quando já estava no estacionamento, devo confessar: também não senti nenhum medo. Olha a minha escolta aí [apontando para a profa. Adelaide]. A bichinha é boa de briga, porque ela ficar respondendo [risos]. E eu: 'Calma, calma que o leão é manso!' [mais risos]. Mas no final, né Adelaide, quando já estávamos no estacionamento, eles fizeram a última acusação: nos chamaram de 'comunistas!!!' [gargalhadas]. Somos comunistas desde a Comuna de Paris! [risos] Eles não sabem o que é ser comunista. Só sabem o que é ser egoísta, individualista, explorador, capitalista. [aplausos]."

"Durante todo o dia de hoje, recebi inúmeras manifestações de carinho e solidariedade de todo Brasil, o que se repetiu aqui ao vivo e a cores. No que pude responder a eles, disse que não se preocupem com o que aconteceu. Estou aqui durante todo o dia, no congresso dos servidores públicos do Ceará, com 600 delegados da classe trabalhadora. Estou em casa e muito bem [aplausos]. E agora estendo um pouco mais a casa, com um público mais jovem [mais aplausos]."

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

MST ocupa Ministérios da Fazenda por todo país contra cortes na Reforma Agrária


Os Sem Terra denunciam a paralisação da Reforma Agrária no país com a realização de uma segunda Jornada de Lutas contra o ajuste fiscal do Governo Federal

Na madrugada desta segunda feira (3/8), cerca de 2.000 mil trabalhadores trabalhadoras Sem Terra ocuparam o Ministério da Fazenda contra o ajuste fiscal do governo no orçamento da reforma agrária, em Brasília.

Até o momento, os Ministérios da Fazenda de Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Florianópolis, Curitiba, Palmas, Paraíba e Bahia também foram ocupados. No Mato Grosso, cerca de 400 camponeses marcham pela cidade de Jaciara. No Pará, 2 mil trabalhadores rurais ocupam a ferrovia da Vale. Em MG, duas rodovias foram trancadas. No PR, os Sem Terra também estão mobilizados em cinco pedágios nos municípios do interior do estado. Ontem, cerca de 200 Sem Terra ocuparam a Fazenda Santo Henrique, pertencente a empresa Cutrale, em São Paulo.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Carta da juventude camponesa reafirma a unidade da luta popular

Durante os dias 20 a 23 de novembro a juventude latino-americana esteve reunida no 14° Acampamento da Juventude Cloc-Via Campesina, em Palmeira das Missões, no Rio Grande do Sul. Nesse período socializaram experiências organizativas e promoveram a integração, a vivência e a agenda política comum dos movimentos e organizações presentes.

No sentido de dar passos concretos em direção a unidade política da juventude latinpo-americana, os jovens construíram uma carta onde reafimam seus compromissos com a classe trabalhadora e com a construção da unidade popular na América Latina.

"Compreendemos que as forças do Capital afetam a vida da juventude, a transformando em alvo de violência, usurpando a sua possibilidade de sonhar, de produzir, de gerar conhecimento e de lutar. Desagrega-nos, nos individualiza, mantendo-nos afastados da socialização da vida e da nossa humanização. Os meios de produção e reprodução do Capital nos padronizam, nos coisificam e nos alienam colocando-nos como inimigos uns dos outros. Oprimem e exploram os nossos povos e a nossa cultura condicionando-nos ao seu modelo de produção", afirmam em trecho da carta.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Significado e perspectivas das mobilizações

Para João Pedro Stedile, a juventude mobilizada, por sua origem de classe
não tem consciência de que está participando de uma luta ideológica.
Assim, estão sendo disputados pelas ideias da direita e da esquerda

Por Nilton Viana

“É hora do governo aliar-se ao povo ou pagará a fatura no futuro”. Essa é uma das avaliações de João Pedro Stedile, da coordenação nacional do MST sobre as mobilizações em todo o país.  Segundo ele, há uma crise urbana instalada nas cidades brasileiras, provocada por essa etapa do capitalismo financeiro. “As pessoas estão vivendo um inferno nas grandes cidades, perdendo três, quatro horas por dia no trânsito, quando poderiam estar com a família, estudando ou tendo atividades culturais”, afirma.  Para o dirigente do MST, as redução da tarifa interessava muito a todo o povo e esse foi o acerto do Movimento Passe Livre, que soube convocar mobilizações em nome dos interesses do povo.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

MST ocupa sede do Dnocs para negociar os problemas da seca no Ceará

Manifestantes ligados ao MST ocuparam pela manhã desta quarta-feira (17) a sede do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNCOS), localizada na Avenida Duque de Caxias, em Fortaleza

O Movimento reivindica reunião com representantes do órgão para negociar pontos referente à seca que assola a região, umas das piores dos últimos anos. Para esta quinta-feira, já está marcada uma audiência com o governador do estado, Cid Gomes.

Os trabalhadores estavam acampados desde ontem no canal da Integração em Pacajús. A ação tem como objetivo exigir políticas públicas efetivas de combate aos efeitos da seca, investimentos para reforma agrária, assentamento imediato de famílias acampadas e evidenciar a situação crítica que vivem os agricultores do estado, como problemas referentes a falta de distribuição de água, a perca do rebanho e da produção agrícola.

A mobilização é uma das ações que acontecem em todo o Brasil e faz parte do calendário de lutas que marcam a jornada de lutas pela reforma agrária, em referência ao massacre de Eldorado dos Carajás ocorrido em 17 de abril de 1996 no estado do Pará.


Página do MST

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Política Ambiental e Agricultura Familiar Sustentável: Desafios para o Brasil

Setoriais do PT realizam painel sobre política ambiental e agricultura familiar

Debate vai girar em torno da IV Conferência Nacional de Meio Ambiente e da 2ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário

Foto: Ubirajara Machado
A Secretaria Nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento e a Secretaria Agrária Nacional, do PT realizam na próxima quarta-feira (17) o painel “Política Ambiental e Agricultura Familiar Sustentável: Desafios para o Brasil”. O evento será realizado na sede nacional do Partido, em Brasília.

O debate vai girar em torno da IV Conferência Nacional de Meio Ambiente, que terá como tema: “Política Nacional de Resíduos Sólidos” e ocorrerá no período de 24 a 27 de outubro, e a 2ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, cujo tema será “Brasil Rural com Gente do Jeito que a Gente Quer” que será realizada no mês de setembro deste ano. Ambas as conferências ocorrerão em Brasília.

Acesse aqui o convite

Confira abaixo a programação do Painel:

19h00 – Composição da mesa e fala dos secretários de Meio Ambiente e Agrário do PT
19h30 – Apresentação da representação da Conferência Nacional de Desenvolvimento
Rural, Sustentável e Solidário
20h00 – Apresentação da representação da Conferência Nacional de Meio Ambiente
20h30 – Abertura para debate
21h30 – Encaminhamentos e recomendações
22h00 – Encerramento

Serviço
Painel Política Ambiental e Agricultura Familiar Sustentável: Desafios para o Brasil.
Data: 17 de Abril de 2013
Local: Sede do Diretório Nacional do PT (SCS – Quadra 02 -  Bloco C Edifício
Toufic – 1º Andar – Brasília/DF)
Horário: 19 às 22h


Smad/PT

terça-feira, 1 de maio de 2012

Dilma precisa vetar todas mudanças no Código Florestal para proteger a natureza


Por Luiz Zarref*

O projeto que altera o Código Florestal brasileiro, votado nesta semana na Câmara dos Deputados, representa a pauta máxima ruralista. A bancada apoiadora do agronegócio e defensora daqueles que cometeram crimes ambientais mostrou sua coesão e conseguiu aprovar um texto de forma entrelaçada, comprometendo todo o projeto.

O texto está de tal forma que se a presidenta Dilma vetar partes dele, continua a mesma coisa. Exemplo: se vetar a distância mínima de floresta recuperada na beira de rios que ficou em 15 metros – atualmente é de 30m -  o texto ainda fica sem nenhuma menção de recuperação nestas áreas. O turismo predatório em mangues também fica permitido, segundo o projeto.

Os ruralistas também aproveitaram para dificultar o processo de Reforma Agrária, com a restrição de dados governamentais para a população e até mesmo com a tentativa de anular as áreas improdutivas por desrespeito ao meio ambiente, tal como manda a constituição.

O pousio, ou seja, o descanso que se dá a terra cultivada, ficou sem qualquer restrição de tempo e de técnica. Isso acaba com o conceito de área improdutiva. O texto viabiliza as áreas que estavam paradas desde a década de 1990 com regeneração de florestas. São 40 milhões de hectares nesta situação.

Além disso, os ruralistas fragilizaram o Cadastro Ambiental Rural, de forma que a população não tenha acesso aos dados, escondendo todos aqueles que cometem crimes ambientais e ferindo o princípio da transparência governamental para a sociedade.

A presidenta Dilma tem 15 dias para anunciar seus vetos, mas movimentos sociais e organizações ambientalistas já estão mobilizados para que a presidente derrube integralmente o projeto que saiu do Congresso Nacional.

A presidenta tem nas mãos, ainda, vasto apoio de parlamentares, organizações camponesas, sindicatos, sociedades científicas, entidades da igreja pelo veto global.

O papel dos setores progressistas é fazer pressão, enfrentar ideologicamente os ruralistas e criar um clima para que a presidenta Dilma faça o veto completo desse projeto. O meio ambiente e a Reforma Agrária estão seriamente comprometidos com este texto que sai do Congresso Nacional.

*Luiz Zarref é dirigente da Via Campesina Brasil

Publicado na página do MST

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Abril Vermelho

Camponeses protestam no Ceará pela Reforma Agrária


Desde a manhã desta quarta-feira (18), a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na capital do Ceará encontra-se ocupada por cerca de 1.500 trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra.

Ao mesmo tempo, trabalhadores(as) rurais também ocuparam a sede da Prefeitura de Canindé-CE para protestar contra a seca. À tarde houve o bloqueio por algumas horas de parte da rodovia BR-020, na entrada do município.

Enquanto isso em Fortaleza, após manifestação em frente ao Incra pela manhã, o superintendente do órgão, Raimundo Cruz Pinto, recebeu em audiência, na tarde do mesmo dia, uma comissão de representantes do Movimento que apresentou a pauta de reivindicações.

Foto de Elitiel Guedes

Negociações

O mesmo grupo esteve acampado no Palácio da Abolição, sede do Governo do Estado, desde a última segunda-feira, 16, e resolveu mudar de endereço após o governador Cid Gomes (PSB) tê-los recebido e se comprometido em atender às reivindicações.

Ele prometeu recursos para construção de escolas nos assentamentos e a desapropriação de quatro propriedades de interesse público. O governador também prometeu a liberação do decreto para 2.300 quintais produtivos no valor de R$ 5,25 milhões e R$ 300 mil para uma adutora em assentamento no município de Madalena, no Sertão Central, entre outros compromissos.

As manifestações fazem parte do Abril Vermelho, que relembra o assassinato de 21 Sem-Terra em Eldorado de Carajás, no Pará, em 17 de abril de 1996.

Saiba mais sobre a Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária 2012 

Com informações da imprensa e da Página do MST

terça-feira, 17 de abril de 2012

MST ocupa palácio do governo do Ceará


Por Sheila Rodrigues e Paulo Henrique Campos
Da Página do MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocupou na manhã desta segunda feira (16/4) o Palácio da Abolição, sede governo do estado e residência oficial do governador, com cerca de 1.500 trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade.

A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas e tem como objetivo denunciar os 16 anos de impunidade do Massacre de Eldorado dos Carajás, além de cobrar dos governos federal e estadual a pauta da Reforma e Agrária e que sejam garantidos recursos para projetos de assistência técnica, educação e moradia.

No Ceará, os trabalhadores reivindicam ações para amenizar os efeitos da seca que já atinge vários municípios.

De acordo com o agricultor José Alves Campos do assentamento Esperança, em Sobral a seca já acabou com as esperanças de safra para este ano, “a situação de falta d'água já fez morrer os legumes e já começa a faltar água de beber”, afirma.

Na pauta estadual, os camponeses cobram ações concretas do governo, assentamento imediato para as 2.000 famílias acampadas no estado e habitações urbanas.


Para saber acerca das mobilizações em 20 estados e suas razões leia no site do MST

quinta-feira, 1 de março de 2012

Movimentos sociais x agronegócio

Camponeses lançam manifesto pela Reforma Agrária


Os movimentos sociais do campo lançaram um manifesto em defesa: da Reforma Agrária, do desenvolvimento rural com o fim das desigualdades, da produção e acesso a alimentos saudáveis, da agroecológica e da garantia e ampliação de direitos sociais aos trabalhadores rurais. Os movimentos apresentaram o manifesto à sociedade em ato político esta semana na Câmara dos Deputados, em Brasília:


MANIFESTO DAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS DO CAMPO

As entidades APIB, CÁRITAS, CIMI, CPT, CONTAG, FETRAF, MAB, MCP, MMC, MPA e MST, presentes no Seminário Nacional de Organizações Sociais do Campo, realizado em Brasília, nos dias 27 e 28 de fevereiro de 2012, deliberaram pela construção e realização de um processo de luta unificada em defesa da Reforma Agrária, dos direitos territoriais e da produção de alimentos saudáveis.

Considerando:

1) O aprofundamento do capitalismo dependente no meio rural, baseado na expansão do agronegócio, produz impactos negativos na vida dos povos do campo, das florestas e das águas, impedindo o cumprimento da função socioambiental da terra e a realização da reforma agrária, promovendo a exclusão e a violência, impactando negativamente também nas cidades, agravando a dependência externa e a degradação dos recursos naturais (primarização).

2) O Brasil vive um processo de reprimarização da economia, baseada na produção e exportação de commodities agrícolas e não agrícolas (mineração), que é incapaz de financiar e promover um desenvolvimento sustentável e solidário e satisfazer as necessidades do povo brasileiro.

3) O agronegócio representa um pacto de poder das classes sociais hegemônicas, com forte apoio do Estado Brasileiro, pautado na financeirização e na acumulação de capital, na mercantilização dos bens da natureza, gerando concentração e estrangeirização da terra, contaminação dos alimentos por agrotóxicos, destruição ambiental, exclusão e violência no campo, e a criminalização dos movimentos, lideranças e lutas sociais.

4) A crise atual é sistêmica e planetária e, em situações de crise, o capital busca saídas clássicas que afetam ainda mais os trabalhadores e trabalhadoras com o aumento da exploração da força de trabalho (inclusive com trabalho escravo), super exploração e concentração dos bens e recursos naturais (reprimarização), flexibilização de direitos e investimento em tecnologia excludente e predatória.

5) Na atual situação de crise, o Brasil, como um país rico em terra, água, bens naturais e biodiversidade, atrai o capital especulativo e agroexportador, acirrando os impactos negativos sobre os territórios e populações indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e camponesas. Externamente, o Brasil pode se tornar alavanca do projeto neocolonizador, expandindo este modelo para outros países, especialmente na América Latina e África.

6) O pensamento neodesenvolvimentista centrado na produção e no lucro, defendido pela direita e por setores de esquerda, exclui e trata como empecilho povos indígenas, quilombolas e camponeses. A opção do governo brasileiro por um projeto neodesenvolvimentista, centrado em grandes projetos e na exportação de commodities, agrava a situação de exclusão e de violência. Consequentemente não atende as pautas estruturais e não coloca a reforma agrária no centro da agenda política, gerando forte insatisfação das organizações sociais do campo, apesar de pequenos avanços em questões periféricas.

Estas são as razões centrais que levaram as organizações sociais do campo a se unirem em um processo nacional de luta articulada. Mesmo reconhecendo a diversidade política, estas compreendem a importância da construção da unidade, feita sobre as bases da sabedoria, da maturidade e do respeito às diferenças, buscando conquistas concretas para os povos do campo, das florestas e das águas.

Neste sentido nós, organizações do campo, lutaremos por um desenvolvimento com sustentabilidade e focado na soberania alimentar e territorial, a partir de quatro eixos centrais:

a) Reforma Agrária ampla e de qualidade, garantia dos direitos territoriais dos povos indígenas e quilombolas e comunidades tradicionais: terra como meio de vida e afirmação da identidade sociocultural dos povos, combate à estrangeirização das terras e estabelecimento do limite de propriedade da terra no Brasil.

b) Desenvolvimento rural com distribuição de renda e riqueza e o fim das desigualdades;

c) Produção e acesso a alimentos saudáveis e conservação ambiental, estabelecendo processos que assegurem a transição para agroecológica.

d) Garantia e ampliação de direitos sociais e culturais que permitam a qualidade de vida, inclusive a sucessão rural e permanência da juventude no campo.

Este é um momento histórico, um espaço qualificado, com dirigentes das principais organizações do campo que esperam a adesão e o compromisso com este processo por outras entidades e movimentos sociais, setores do governo, parlamentares, personalidades e sociedade em geral, uma vez que a agenda que nos une é uma agenda de interesse de todos e todas.

Brasília, 28 de fevereiro de 2012.

APIB – Associação dos Povos Indígenas do Brasil
CÁRITAS Brasileira
CIMI – Conselho Indigenista Missionário
CPT – Comissão Pastoral da Terra
CONTAG – Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura
FETRAF – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar
MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens
MCP – Movimento Camponês Popular
MMC – Movimento de Mulheres Camponesas
MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores
MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Via Campesina Brasil



Com informações do site do MST