segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Árvore também é cultura

A assepsia estética fascista no meio urbano corresponde à alienação sobre a preservação ambiental como saúde – das pessoas e do planeta

Por Rafael Tomyama*


Dia desses, conversando com o amigo Adalberto Alencar, ele chamou atenção sobre os mais recentes estudos que estabelecem a relação entre o sombreamento das ruas e a expectativa de vida das pessoas

Esta conversa acontece num contexto de um mundo adoecido (de várias formas), em que é notório o aumento de miseráveis perambulando e o sumiço das árvores nas artérias pavimentadas de asfalto da cidade.

A onda de calor sufocante só não é pior do que as investidas de gente-de-bem furiosa contra os maltrapilhos e a cobertura vegetal da cidade. Ou são parte do mesmo fenômeno de alienação mental que se retroalimentam.

Impressionante é como a semiótica de uma cultura odienta se reproduz nas realizações do provincianismo de uma gestão governamental alheia aos limites planetários, mas pretensamente cosmopolita.